YouTuber canadense defende discurso de ódio contra obesos

YouTuber canadense defende discurso de ódio contra obesos

Nicole Arbour, YouTuber de 30 anos, publicou em sua conta um vídeo de seis minutos onde ela denigre e ofende obesos, entitulado “Dear Fat People”, do inglês “Queridos Gordos.” Neste vídeo, a mulher diz que “fatshaming” (ou gordofobia) deve ser estimulado, afim de que as pessoas obesas sintam vergonha e desconforto o suficiente para começar a emagrecer e evitar o que ela chama de “maus habitos”.

Gordofobia não existe. É algo que os gordos inventaram. É tipo gritar racismo pra uma questão que não involve racismo. Aí a pessoa fala, “é, mas eu não coube dentro de uma loja, isso é discriminação.” Hm, não. Isso só significa que você é muito gordo, e que deveria parar de comer.”

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Metal Gear Solid V e o estereótipo personificado

Metal Gear Solid V e o estereótipo personificado

Primeiramente, preciso dizer que desde a infância sou muito fã da série Metal Gear Solid. Snake é um dos meus personagens favoritos e eu simplesmente adoro aquela jogabilidade, sou muito fã de jogos stealth. Segundamente, também é necessário que eu te informe, queridx leitorx, que eu não joguei Metal Gear Solid V ainda. Por falta de tempo, por falta de dinheiro. Todo mundo sabe como games estão caros aqui no Brasil, mas isso é assunto pra outro post. Minhas opiniões sobre o assunto aqui tratado são referentes ao que eu li sobre Quiet, aos vídeos que assisti, e sobre o merchandising da personagem. Vamos lá então?

Vale lembrar que, apesar de eu não ter jogado MGS V, existe alguns spoilers brandos sobre a personagem aqui nesse post. Esteja avisado, marujx!

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Três vezes. E só isso.

No dia em que eu escrevo esse post, faltam 13 dias para eu ir embora da Irlanda. Depois de (praticamente) um ano nesse país, eu posso dizer que metade de mim gostaria de ficar para sempre. A outra metade sente saudade de vários aspectos da minha vida no Brasil.

Para ser bem sincera, o que eu mais sinto saudade do Brasil são os pequenos confortos que eu tinha. O conforto da cama de casal, de ter pais que me levavam à vários lugares de carro, de ter alguém que fizesse a minha comida e/ou lavasse a minha louça depois… São pequenos luxos que aqui na Irlanda eu vivo completamente sem. Foi um ano dormindo em cama de solteiro, andando muito à pé e fazendo minhas próprias marmitas para não ter que ficar comendo fast-food todo dia (e lavando toda a louça depois).

Mas se tem uma coisa que eu vou realmente sentir falta da Irlanda, realmente mesmo, é a paz de andar na rua.

Como assim, Olívia?

Todos os dias, eu vou e volto do meu estágio a pé. São, praticamente, 1h30 de caminhada entre minha acomodação e minha universidade. Eu geralmente vou com uma calça de ginástica, daquela que molda no corpo, camiseta e uma blusa.

E eu nunca precisei colocar uma blusa amarrada na cintura para disfarçar a bunda.

Porque aqui, mexeram comigo na rua três vezes em um ano.

Vocês tem noção da maravilha que é isso?

É claro que o ideal seria que nunca tivessem mexido comigo nem nada, mas quando você leva inúmeros assédios no caminho de 15 minutos entre a sua casa e a academia no Brasil, três vezes em um ano é uma benção.

Eu consigo lembrar de todas as vezes que mexeram comigo na rua durante o ano. No Brasil, eu mal conseguia lembrar de todas as vezes que mexeram comigo no dia. E eu posso dizer com a boca cheia que esse é o principal motivo pelo qual eu nunca gostaria de ir embora da Irlanda (e da Europa em geral). A comida boa e barata, os ambientes amigáveis, a universidade que é cenário de filme… nada, nada me deixa com o coração mais apertado do que ter que deixar para trás esse liberdade de ir e vir sem ser atormentada.

A liberdade de poder andar do centro da cidade até em casa à noite com a certeza de que eu vou chegar em segurança.

A liberdade de passar por um grupo de homens bêbados e saber que eles não vão me atormentar em nenhum instante.

A felicidade que me dá ao ver várias meninas muito bêbadas e nenhum homem se aproveitando disso.

A educação que um povo dá aos seus homens, de que as mulheres não são objetos, e sim pessoas, com sentimentos e vontades próprias.

Espero que, um dia, eu também possa sair do meu Brasil e dizer que sinto falta de não ter o machismo cerceando meu direito basiquinho.

“Diz ter sido” distorcido

Há pouco tempo atrás, saiu uma notícia de que Viviany Beleboni, mais conhecida como a transexual “crucificada” da Parada Gay de São Paulo, foi agredida à facadas. Mas como sempre acontece, não foi beeeeem assim.

Ou melhor dizendo, o fato foi. A maneira que foi noticiada não.

Dê uma procurada. A maioria dos títulos das matérias foram: Transexual diz ter sido esfaqueada.

Diz. Ter. Sido.

Eu fico imaginando o que os jornalistas pensam ao escrever esse tipo de título.

Jornalista 1: Ah, ela deve estar fazendo drama. Acabou se cortando na cozinha e aí disse ter sido agredida por alguém.

Jornalista 2: Isso deve ser só vitimismo, LGBTfobia não existe.

Jornalista 3: Ela deve estar louca.

Mas essa não é a primeira vez que eu vejo essa maldita expressão em matérias relacionadas a mulheres. Diversas vezes eu já vi mulheres que “diziam ter sido estupradas” e “diziam ter sido assediadas”. E se você acha que eu estou exagerando, é só colocar no Google: mulher diz ter sido estuprada, e você vai ver quantas reportagens existem.

Eu realmente tento entender o porque dessa expressão.

Quando alguém é assaltado, ninguém diz Sujeito diz ter sido assaltado. Então por que que quando as mulheres falam “fui estuprada/agredida/assediada/abusada”, a imprensa insiste em noticiar que “dizemos ter sofrido” qualquer violência daquela? O que os jornais esperam? Que enviemos comprovantes?

Vítima: “Olha, tá aqui o meu exame de corpo de delito, fui comprovadamente estuprada.”

Jornalista: “Ah, agora sim! Achei que você estava inventando, sabe como é.”

Eu realmente me pergunto porque os crimes relacionados à gênero não inspiram tanta “confiabilidade” assim. Eu fico tentando não acreditar que as pessoas pensem “ah, provavelmente ela está dizendo isso só para aparecer”. Porque não, digníssima família brasileira, nós não inventamos os estupros e os assédios que sofremos. Eles existem, são reais e machucam muitas vezes até mais do que outras violências.

Por favor, parem de dizer que “dizemos ter sido” qualquer coisa.

Life is Strange: Meninas investigando crimes contra meninas

Life is Strange: Meninas investigando crimes contra meninas

Atenção: Este post possui spoilers de até o quarto episódio de Life is Strange. Square-Enix publicou um game interativo chamado Life is Strange em 29 de janeiro de 2015. Decidiram que o game seria dividido em 5 episódios publicados a cada dois meses. 7 meses depois, com 4 episódios já publicados, Life is Strange é com certeza um dos games feministas mais relevantes da atualidade. Mas do que se trata Life is Strange? Como eu já havia postado em outro blog, o Junta 7, Life is Strange é centralizado na vida de Max Caulfield, uma estudante de fotografia que ganha do nada a habilidade de rebobinar o tempo. Isso mesmo, da mesma forma que voltávamos alguns segundos em um filme VHS, Max possui esta ferramenta na vida real, possibilitando a análise de fatos e uma segunda chance na retomada de decisões. Continuar lendo “Life is Strange: Meninas investigando crimes contra meninas”

O problema não são as mulheres, querido nerd. É você.

Acho que todo mundo que tem redes sociais, hoje em dia, já viu aquele amigo nerd/geek típico reclamando que ele trata as mulheres bem mas o que elas curtem mesmo são os cafajestes, ou que ele bajulou tanto uma garota específica mas ela o deixou na friendzone, ou qualquer coisa do gênero. Aposto que tem muitas meninas que, como eu, já viram seus ex postando imagens tipo  essa e, por um momento, por um milésimo de segundo, se sentiram como pessoas cruéis que deram o fora naquele suposto cara perfeito.

Mas foi só um milésimo de segundo mesmo, porque nós não somos obrigadas a continuar com alguém só porque essa pessoa nos trata bem. Nós não somos obrigadas a ficar com alguém só porque essa pessoa é legal com a gente (legal entre aspas, porque está cheio das segundas intenções). E não, não merecemos ser rotuladas como “vadias” só porque supostamente te deixamos nessa idiotice que você chama de friendzone.

Estou aqui para dizer que estamos cansadas dessa baboseira toda.

Você, nerd, não é melhor que ninguém por viver nesse mundinho de cultura pop.

Eu não vou definir aqui o que é um nerd (ou geek, seja lá como você prefere chamar). Honestamente, pra mim isso independe de quantos jogos que você já zerou, do número de HQs que você acompanha mensalmente ou da quantidade de Pokémons que você sabe o nome. Mas eu acho que todo mundo consegue imaginar um nerd desses de hoje em dia.

Pois bem, eu me considero uma nerd. Gosto muito de cultura pop, prefiro ação à comédia romântica e leio quadrinhos com frequência. Mas, apesar de me considerar nerd, eu odeio  a comunidade nerd.

Por quê? Porque os nerds-padrão são extremamente sexistas, machistas, elitistas e preconceituosos. E eu abomino isso.

Ripley mandando a real: estou feliz em desapontá-lo.
Ripley mandando a real: estou feliz em desapontá-lo.

Os nerds, em geral, se consideram “intelectualmente superiores” a qualquer outro mortal da face da Terra. Como o J. M. Trevisan disse nesse texto  aqui , o nerd-padrão vê o seu mundinho “como um reino que ele conquistou a duras penas e ao custo de muitos pescotapas e que é dele”. Esse mundo particular criado pelo nerd-padrão pode ser resultado de um processo de “isolamento”, no qual o nerd se vê como “vítima” da friendzone e das “vadias” que não ficam com ele, mas sim com os “cafajestes”, que são os garotos que conseguem sair e ficar e beijar as garotas do mundo.

Esse mundo cheio de relações deturpadas afeta a cabeça desse ser que, teoricamente, é “intelectualmente superior”; e, dessa forma, eles  não admitem que as garotas que os rejeitam tenham “acesso” ao conteúdo de seu reino particular , afinal, foi ele que se estrepou todo para chegar até ali, certo?

Com isso, todas essas “vadias” que adentram no mundo dos jogos eletrônicos, RPG, quadrinhos, livros e filmes de cultura pop são altamente hostilizadas pelos atuais habitantes desse lugar. Esses garotos que, provavelmente, já foram alvo de bullying na escola trocam o papel de vítima para o de agressor,  ameaçando de estupro mulheres que se interessam por RPG  e  usando ofensas misóginas com aquelas que gostam de jogos online , por exemplo.

Mas é claro que o problema não acaba aí. As garotas são “vadias” porque entram em um mundo que, teoricamente, não as pertence. Mas não é só por isso…

Friendzone MATA!

cala a boca

Uma das melhores definições de friendzone que eu achei foi essa:

O conceito é simples, o cara (geralmente o cara) gosta muito de uma menina, mas ela não consegue ver o quanto ele é boa praça e o coloca na TERRÍVEL zona da amizade, onde ele é obrigado a não ficar com ela enquanto assiste um monte de caras não tão legais quanto ele tendo a chance. Esse é um problema que aflige praticamente todos os “caras legais” do mundo, porque mulher só dá valor pra babaca pegador.

Eu acreditava muito mais em friendzone no passado, mas tudo isso mudou quando eu fui colocada no papel que eu nunca tinha ficado: o de  friendzoneador  (se é que esse termo existe). Depois de uma série de circunstâncias, lá estava eu sendo bombardeada indiretamente por imagens tipo  aquela  que eu coloquei no começo do post, de um cara que queria muito continuar comigo, mas que simplesmente não rolava mais. E eu percebi que essa “pressão” indireta de ter que ficar com alguém só porque essa pessoa te trata bem é horrorosa.

Ela disse que só queria que fossemos amigos… que vadia.
Ela disse que só queria que fossemos amigos… que vadia.

Primeiramente:  quem foi que disse que você é um cara legal?  Sua mãe? Você mesmo? Seus amiguinhos que são iguais a você? Segundamente:  ninguém é obrigado a ficar com alguém só porque essa pessoa é fofa , ou te trata como uma princesa/príncipe. Se você não sente atração pela pessoa, não há nada que você possa fazer, por mais que o outro envolvido na história mande indiretinhas sobre o fato de você “pisar” nele. Nerdzinhos, vocês tem que aceitar que as mulheres  tem vontades , e ela não é nenhum demônio ou nenhuma criatura imbecil caso a vontade dela  não seja você.  E   caro  friendzoneado , não há nada que  você  possa fazer em relação à essas vontades! Se outra pessoa não te quer, siga o conselho da tia Elsa e  let it go ! Ou siga o conselho do tio Jimmy, do Matanza:

Se a mulher que voce quer, não te quer mais
E você só foi perceber isso tarde demais
Tudo bem, pois não faz a menor diferença no fim

Além disso, se você se aproximou de uma garota e foi legal com ela com o único propósito de tentar alguma coisa além disso,  você é um babaca .

E se vocês acham que eu estou exagerando sobre dizer que friendzone mata, você já ouviu falar sobre um cara chamado Elliot Rodger? Ele parecia um cara legal. Escreveu um  manifesto  até. Olha uma parte dele:

Vocês meninas nunca se sentiram atraídas por mim. Eu não sei por que vocês meninas não se sentem atraídas por mim, mas vou punir todas vocês por isso.

Elliot Rodger era só mais um cara que acreditava na friendzone e que, por causa dela, cometeu o  Massacre de Isla Vista , que deixou 7 mortos (incluindo o atirador) e 13 feridos. Por causa dessa rejeição que era, teoricamente, culpa das mulheres, ele se achou no direito de matar e ferir pessoas.

Por favor,  parem com essa ladainha de friendzone . Se as garotas não te querem, talvez o problema não seja elas, e sim você. Talvez todo esse seu preconceito nerd-padrão-ninguém-entra-no-meu-mundinho seja o culpado. Podem existir um milhão de motivos, mas as mulheres serem “vadias” porque “só ficam com cafajestes” não é um deles.


PS: assumo que esse texto não saiu tão bom assim. Ele é mais um desabafo do que qualquer coisa, então saiu com mais emoção do que eu previa. Peço desculpas por isso.

Usei os seguintes textos pra me ajudar nesse artigo:

Por que 2015 precisa de um protagonista de 1997?

Por que 2015 precisa de um protagonista de 1997?

Este post contém spoilers. Final Fantasy VII é um JRPG clássico e conhecido por qualquer gamer, tendo ele jogado ou não. Foi lançado pela primeira vez em 1997 e relançado para PC, relançado para PSP, para PS3, PS4 e agora será completamente refeito, com gráficos belos e atuais, tais quais usados pelos games mais recentes da última geração, como Last of Us e Destiny, jogos conhecidos pela sua beleza. Um remake era pedido por parte dos fãs desde meados de 2007, quando a produtora lançou um vídeo de como Final Fantasy VII seria se tivesse sido feito para PlayStation 3. Desde a revelação do remake em junho deste ano, na E3, o vídeo do trailer foi visualizado por volta de 11,000,000 vezes em duas semanas. Existem vídeos de 4 a 7 horas de fãs reagindo ao anuncio, com muita gritaria e alegria. Mas qual é a razão deste hype? Qual é a razão de um game de 18 anos ainda provocar euforia? Porque ele foi um marco na história?Pelo seu enredo e, mais importante, pelo seus personagens principais. Em específico, o protagonista da série, Cloud Strife. Podemos ver as costas de Cloud no trailer, e esta cena de pouco mais de 3 segundos gerou tamanha alegria aos fãs que é praticamente imensurável.

Reação do GameTrailers ao perceber que era um remake
Reação do GameTrailers ao perceber que era um remake

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