A sexualidade da mulher : O tabu do século

Desde pequena a mulher é criada para o lar. Entender ou falar sobre sexo é algo que não faz parte do universo feminino. Aprendemos quando criança, que masturbação feminina é feio, e que a masculina é normal. Essa repressão da sexualidade feminina acarreta em vários problemas inclusive na vida adulta.
Quais? Não conhecer o próprio corpo, ou tratar o sexo como um assunto tabu. E de fato, isso traz consequências na forma como a mulher lida com o autoconhecimento, com seu próprio corpo (a imagem que se tem dele), e com o sexo em si.
Vejo diariamente homens fazendo colocações do tipo ‘Mulher que dá no primeiro encontro é vadia, não serve para namorar’. Não somente homens, é claro, mas a grande maioria.
Entendo que mulheres que reproduzem esses conceitos não questionam dos porquês, apenas reproduzem conceitos machistas que foram aprendidos dentro de casa.
Não é nenhuma novidade que, a mulher que expressa sua sexualidade, que lida com o sexo de maneira natural (como deve ser lidada), que faz sexo quando sente vontade e que toma a iniciativa é tida como vadia. Isso tudo é consequência da sociedade machista na qual vivemos.
Aí muitos vão dizer ‘Mas as coisas estão mudando, não é mais assim’. Bem, eu digo que não, elas não estão mudando, e um exemplo disso é o programa que passou na terça feira na band, ‘A liga’, em que a sexualidade da mulher foi abordada. Vários homens foram entrevistados, e ficou claro que o homem não se importa, grande parte das vezes, com o prazer da mulher na hora do sexo. Ele a vê, nada mais nada menos, do que como objeto para o seu prazer. Além é claro, de colocações bastante machistas a respeito da mulher que expressa sua sexualidade, que tem uma liberdade sexual.
Essas barreiras sempre existiram. Mas é importante saber que tudo isso veio com a religião. Na Idade Média, a Igreja constituiu o casamento, não como uma instituição sagrada somente, mas como uma forma de controlar a vida sexual das pessoas, tidas como fiéis, e ainda por cima ter controle ainda maior sobre a mulher, tida como bruxa quando essa sentia prazer durante uma relação sexual.
Acho que hoje em dia, são poucas as pessoas que não tem consciência de que nessa época, até mesmo as posições sexuais eram controladas pela Igreja.
Recentemente me perguntaram o que eu achava da mulher que carregava camisinha em sua bolsa. A minha resposta? Bem, carregar camisinha é um sinal de responsabilidade que indepente do sexo. Se a mulher sente tesão, e quer transar, nada melhor do que garantir a segurança do sexo. Isso não é um papel obrigatoriamente masculino, mas aquela que carrega camisinha em sua bolsa ainda é mal vista.
Fazendo esse trabalho sobre sexualidade, indústria pornográfica e a mulher, percebo que existe ainda um tabu muito grande quando se fala do mercado do sexo para o público feminino. Por mais que existam brinquedos e artificios que hoje acabem estimulando a mulher a conhecer seu próprio corpo, falar abertamente sobre isso ainda é algo raro.
Poucas mulheres conhecem realmente seu corpo e suas zonas erógenas, por conta da masturbação feminina ter sido reprimida desde sempre. É preciso quebrar com esses conceitos, e estimular que a mulher conheça seu próprio corpo, entenda aquilo que lhe dá prazer, e aquilo que ela não gosta ou não se sente confortável em fazer.
Somente dessa maneira, abordando a sexualidade feminina com naturalidade, e quebrando com conceitos machistas que são herança de uma sociedade patriarcal, é que a mulher realmente vai ser livre desses preconceitos e vai passar a desenvolver melhor sua sexualidade, e conhecer e amar seu próprio corpo.
Livrando-nos de padrões estéticos, de preconceitos e tabus, é que vamos ser mais felizes e plenamente realizados.
Não é feio a mulher sentir tesão e transar no primeiro encontro, no segundo ou no terceiro. Feio é o preconceito e machismo de uma sociedade hipócrita, que deseja que a mulher tenha um comportamento sexual diferente entre quatro paredes, mas que a reprime quando deveria na verdade, permiti-la conhecer a si mesma.

Amelia Autumn

Um comentário em “A sexualidade da mulher : O tabu do século

  1. Realmente, isso fica incutido dentro da mente, mesmo eu, que me considero aberta a isso, nunca tive problema de falar de sexo, sentir vontade, me masturbar, ver porno, etc… Quando conheci meu atual namorado, transamos no segundo dia e ficou aquela pulga atrás da orelha de “ele deve achar que sou puta”, mas enfim, ja faz um ano que estamos namorando e sei que, eu ter tomado a iniciativa naquela noite, e na seguinte e na outra, fez ele entender melhor meu jeito e gostar muito desse meu jeito.

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