LuLu, um app feminista

Muita gente têm comentado sobre esse app criado para mulheres, o LuLu. E o que mais vejo é pessoas falarem que esse app é sexista, que é uma vingança das mulheres pelo que os homens fazem etc.
Acredito que não seja isso, e é por isso que resolvi compartilhar esse texto muito bem escrito da Ariane sobre o assunto.
Vale lembrar que ela fala sobre o aplicativo em si. A forma como cada uma faz uso, é uma coisa completamente diferente e vai de cada uma.

Post original: https://www.facebook.com/ariane.silva.s/posts/10202508456571395

Texto por Ariane Silva, postado por Amélia Autumn

LuLu: Um app feminista.

Eu ainda quero escrever um texto bem elaborado, bem escrito sobre isso mas no momento to meio cansada, mas gente, cês pararam pra ler o site do LuLu antes de criticar? Eu descobri o LuLu por que uma amiga veio contar que tava tendo treta por que supostamente alguém tinha feito um app pra avaliar PINTOS de homens, dar nota, fazer comentários. Fui pesquisar já achando que era um app feito por homens pra homens gays (por que quem é que arriscaria dinheiro investindo que mulheres gostam de sexo e se interessam por… avaliar pintos?), descobri que na verdade era pra avaliar HOMENS, não pintos. Achei curioso esse rumor ter surgido, por que sites, apps, blogs, conversas de botecos de homens avaliando e dando notas pra pedaços de corpos de mulheres é o que não deve faltar. Peito nota 5, bunda 9,5. A gente tem até uma piada específica pra mostrar que estamos olhando é pra um recorte do corpo de uma mulher, pra um pedaço do objeto mulher, e não pra uma pessoa: Raimunda. Quando são mulheres sendo objetificadas nem é assunto, quando são homens, chovem lágrimas. É sexismo.

Li umas críticas de sites especializados em tecnologia e de jornais relativamente importantes em inglês, algumas xingando o app, alguns dizendo apenas ‘hey, é idiota, mas é a mesma coisa que os caras tão fazendo com as mulheres desde sempre, parem de reclamar’. Olha, não é a mesma coisa. Vou colar aqui e traduzir trechos da apresentação do LuLu no site oficial:

Primeiro, o LuLu é apresentado como ‘LuLu: the first-ever app for girls’ [LuLu: o primeiro aplicativo pra meninas de todos os tempos]. Quando li isso já tinha pensado: realmente, por que todos os outros, TODOS OS OUTROS que servem pra dar notas e fazer comentários sobre pessoas, inclusive esse facebook aqui que se o filme estiver correto começou como um webapp pra dar nota pra mulheres de acordo com a aparência, e surgiu por que o Mark tava putinho com a vadia que não quis ficar com ele, foram feitos por homens, pra homens. Talvez fosse massa lembrar também do Grindr. Tentaram fazer várias versões pra mulheres e simplesmente NÃO PEGOU. As mulheres não aderiram em massa. O foco pode não ser o mesmo, mas são sintomas da mesma estrutura.

Então você lê a descrição do LuLu: “A private app for girls to share their insights on love and life” [um app privado pra meninas compartilharem seus pensamentos sobre amor e vida]. Se fosse um app pra homens, ainda que tivesse sido criado mesmo pra esse fim, tenho certeza que de fato ia acabar se tornando pornografia. Se até o chatroulette conseguiram transformar numa ferramenta de constrangimento e humilhação de mulheres e assédio sexual virtual, ao ponto dos criadores precisarem implementar um filtro detector de pintos pra tentar reverter o problema e permitir que o site fosse usado pro propósito pretendido – ter conversas via vídeo chat com pessoas aleatórias de vários lugares do mundo – imagina um app feito pra comentar sobre mulheres, sobre como se sentiram com elas, e coisas assim. Mas isso é algo que é esperado – ou sequer permitido – das mulheres? Em tempos de revenge porn, se alguém descobre que a fulana da faculdade tirou foto e avaliou o pinto do cara outra turma com quem transou, é ela quem se fode. Ela que vai ficar sendo a vagabunda e sofrer assédio sexual e ameaças de estupro. Essa acusação do rumor vem de onde então? Os homens são tão nojentos que nem eles querem lidar com os modos de dominação da supremacia masculina voltados contra eles.

Se você clicar em “How LuLu works”, vai parar numa página com várias explicações, a primeira delas: ‘We created Lulu to unleash the value of girl talk and to empower girls to make smarter decisions on topics ranging from relationships to beauty and health.
Lulu is a private network for girls to express and share their opinions openly and honestly. In our first iteration, Lulu is a private app for girls to read and create reviews of guys they know.’ [Nós criamos o LuLu pra libertar o poder da conversa entre meninas e empoderar meninas pra tomar decisões mais espertas em tópicos que vão de relacionamentos a beleza e saúde. Lulu é uma rede privada pra meninas se expressarem e compartilharem suas opiniões abertamente e honestamente. Na nossa primeira iteração, Lulu é um app privado pra meninas lerem e criarem resenhas de caras que elas conhecem.]

Libertar o poder da conversa entre meninas e EMPODERAR MENINAS pra tomarem decisões melhores.

Alguém sacou por que tem tanto homem incomodado? Imagina só, eles já morrem de medo das mulheres começarem a conversar entre si e descobrirem que eles são nojentos, e cada coisa nojenta específica que eles já fizeram. O estuprador, o espancador. O cara que não quer usar camisinha. O cara que mente que usou camisinha. O cara que tira a camisinha no meio do sexo. O que engravida e quer forçar a menina a ter a criança que ela não quer. O cara que engravida e quer forçar a menina a fazer o aborto que ela não quer. O cara que trai. O que destrata, humilha, difama. O ciumento. O chantagista. Todos os caras. Ativamente dominam o espaço de fala e impedem que as mulheres conversem entre si. Demonizam as conversas entre mulheres, chamam de fofoca. Duas mulheres muito próximas que não priorizam um homem, que não dão atenção quando um homem aparece, só podem ser sapatão, e ninguém quer ser sapatão. Toda a sorte de mecanismos pra impedir que mulheres conversem entre si e permaneçam sozinhas, pra impor que todo o convívio social da mulher seja sob o intermédio do homem, do agressor. Tanto trabalho, milênios de patriarcado.

Aí vem alguém e faz um app. Que só mulheres podem ter acesso (eu tava como homem no facebook e tentem acessar, e mesmo depois de mudar de volta pra mulher não consegui). Pras mulheres trocarem experiências umas com as outras num ambiente seguro – num espaço seguro – anonimamente.

Clicando no ‘About Us’ [Sobre nós], aparece a foto da criadora (sim, uma mulher! no mercado de tecnologia! fazendo sucesso! imaginem quantos nerds com raiva por aí), a Alexandra Chong, com uma citação dela: ‘I created Lulu because my girlfriends and I needed it. [Eu criei Lulu por que as minas amigas e eu precisávamos]. Ela fez um app por que ela e as amigas precisavam de um jeito seguro de trocar informações entre elas pra conseguir tomar decisões melhores. Sem o julgamento da sociedade misógina que chama isso de fofoca. Sem os riscos do cara descobrir o que ela falou e ir atrás dela pra agredir (de novo?). Se as meninas estavam precisando fazer decisões melhores em relação aos caras, com certeza significa que elas estavam sofrendo violências desses homens. Elas fizeram um app pra elas e outras mulheres se unirem e se protegerem disso.

O post traz algumas coisas que estavam escritas em outros espaços e eu já colei aqui, e segue: ‘Lulu founder Alexandra Chong came up with the idea for Lulu over a six-hour post-Valentine’s day brunch. Alexandra sat at a table of girls, talking about everything from the men in their lives to career moves. Alexandra recognized that if you put even one guy in the mix, the candor of the conversation changes. She thought there was a real opportunity to tap into girl talk.
In February 2013, we launched the first iteration of Lulu as a private app for girls to read and create reviews of guys they know. Since then, more than one million girls have downloaded Lulu.’ [Alexandra Chong, a fundadora do Lulu, teve a ideia pro Lulu depois de um “brunch” (refeição que combina o café da manhã, ‘breakfast’ em inglês, com o almoço, ‘lunch’ em inglês). Alexandra sentou uma mesa de meninas, conversando sobre tudo desde homens até as vidas delas até decisões sobre suas carreiras. Alexandra reconheceu que se você coloca mesmo que seja apenas um cara na mistura, a honestidade da conversa muda. Ela pensou que havia uma oportunidade real pra promover conversas entre meninas. Em fevereiro de 2013, nós lançamos a primeira iteração do Lulu como um app privado pra meninas criarem resenhas de caras que elas conhecem. Desde então, mais de um milhão de meninas baixaram o Lulu.]

Mesmo antes de ter lido ler tudo isso aí eu já tinha achado o app muito massa e mesmo não sendo hétero, eu corri pra baixar e instalar (minha amiga também, e pelo menos mais uma já tá usando também e adorando). Agora a gente tem um app pra postar que o cara que paga de feminista e que sai adicionando as mulheres pra assediar é um nojento, e que quando ele percebe que não vai conseguir nada com você, sai falando mal, hostilizando você publicamente nos seus posts, sabotando seus projetos e pior, usa o fato de ser “seu amigo” pra hostilizar outras mulheres e pra adicionar e assediar ainda outras. Agora tem um app pra facilitar esse processo tão demorado que foi descobrir que não foi uma nem duas meninas que passou por essas situações com o nojento em questão – que frequenta boa parte dos espaços não-virtuais que você e suas amigas frequentam também. Inclusive as que não saberiam dessas histórias e poderiam cair na furada de acabar se relacionando com ele.

A wikipedia linka o ‘DontDateHimGirl.com’ [NãoSaiaComElemenina.com ou algo assim], e informa que o Lulu é frequentemente comparado com ele, que já teve uma função pra dar nota pros caras. É claro que os caras tão com raiva. Eles tão chamando esse app de sexista. Isso faz tanto sentido quanto chamar de racista um app de negras, exclusivo pra negras, feito por uma negra, pra denunciar racismo que sofreram por brancos. Não existe racismo contra brancos. Não existe sexismo contra homens. Os homens tão incomodados é por que esse app é feminista mesmo.

Essa função de dar notas nos homens é só a primeira fase do app. Pelo que eu entendi, novas funções com o objetivo de estimular e facilitar conversas entre meninas com o objetivo de criar uma rede virtual de apóia-mútua entre mulheres. Esse app não é sobre homens. Repito: NÃO É SOBRE HOMENS. É sobre mulheres, sobre apóia-mútua entre mullheres e empoderamento de mulheres. Esse app é sobre mulheres. Eu não tenho passado muito tempo no facebook e vi poucos comentários das amigas, mas o que eu vi foi mais no sentido de dizer ‘peraí, é idiota mas é a mesma coisa que os homens já tão fazendo’, que é mais ou menos como a mídia liberal dos EUA tá cobrindo. A gente que é feminista deveria olhar o LuLu com mais carinho que a mídia liberal dos EUA.

E é mais ou menos isso que eu queria falar sobre o Lulu. Eu gostaria de sugerir de todo o coração que você e suas amigas todas instalem ele, tem pra Android, pra iOS e acho que dá pra usar pelo navegador também, e que ignorem completamente o que os caras têm falado sobre o app. Tentaram te deixar longe dele dizendo até que é um site que tem pintos pra dar nota e nada mais. Que mentira mais desonesta.

 

49 comentários em “LuLu, um app feminista

    1. Acho que não ficou claro para você de que a visão da autora do blog é sobre a INTENÇÃO do aplicativo. O que difere muito de como as mulheres vão utilizar esse aplicativo.
      E de maneira alguma essa postagem dá a entender de que o movimento feminista é o machismo às avessas.
      Recomendo você ler a postagem original e acompanhar os argumentos da autora, assim talvez fique mais claro o que ela quer dizer com isso.
      Grata pelo comentário, Amelia Autumn

      1. Adorei a sua resposta, você parece ser uma pessoa bem instruida. O principal incômodo nesse aplicativo, é não poder (enquanto vontade independente de gênero) escolher se quero participar ou estar exposto nisso. É um tanto desesperador sim. Pois já quebrei corações de maneira infantil e já tive o meu quebrado – passado todos temos: mulheres, homens. A ideia é bem legal, mas é muito cruel ver um um cara “casado”, “noivo” e expor: já peguei, estou junto, sou amiga, estou afim, finalmente solteiro e coisas do tipo. – Cara… e todo mundo arrota e peida – até a sua mãe e a minha… Eu só acho legal e válido ressaltar não uma guerra de sexos, mas sim um controle melhor sobre a coisa: quem quer dar a cara a tapa, que dê. Mas e quem não quiser? – Por favor, não me entenda errado: deveríamos poder conversar entre amigos (não só entre mulheres ou homens) sobre o que nos der na telha: dando notas pra pinto, pra peito, pra bunda e nariz. Eu não controlo o que falam de mim no meu trabalho, círculo de amigos ou mesmo o que minha esposa fala com as amigas…. ninguém nunca vai controlar. Mas putz, eu e qualquer pessoa no mundo queremos o poder de escolher ser avaliado ou não – eu acho estupro uma coisa deplorável…pra qualquer gênero. E essa violência em uma escala social (não física) soa como a violência que eu e (acredito eu) você abominamos que é antes da falta de igualdade, a falta de escolha.

  1. Geralmente concordo com o lado feminista nessas questões, mas dessa vez não dá. É um aplicativo pra falar de pessoas sem que estas tenham direito de ver e se necessário se defender, dar sua versão. O feminismo não é e não pode ser reduzido a um “machismo das mulheres” como tentam fazer vários idiotas por aí. Reproduzir as babaquices masculinas não é feminismo, é revanchismo barato.

    1. Mais uma vez peço que veja a postagem na íntegra. O que a Ariane quis propôr é que esse é um espaço seguro de discussão entre mulheres e que a idéia é bacana. Não se pode e nem se deve colocar que isso é um revanchismo barato porque ela diz sobre a idéia do aplicativo e não sobre o uso que cada um dá para ele.
      Atentem-se ao que ela discute no texto e vejam o ponto de vista de uma feminista sobre esse aplicativo.
      Grata, Amelia Autumn.

      1. Amelia,
        Li o texto e discordei. Cuidado pra não cair na armadilha de achar que quem pensa diferente só pode ser ignorante. Como disse sou sensível a causa feminista, venho de uma família de ativistas e certamente compartilho muitos valores com você. Mas um fórum para discutir sobre pessoas que não dá acesso a quem é alvo das discussões cria sempre o risco de virar um espaço de difamação. Não sei até que ponto se pode separar a ferramenta do uso que se faz dela. O tempo dirá o que este site irá se tornar, mas não gosto muito da idéia.
        No fim, que segurança as mulheres têm a mais do que por exemplo num grupo privado de facebook?

      2. Entendo seu ponto de vista mas o que quis dizer é para acompanhar os comentários da própria autora em seu facebook. Acredito que essa é uma forma válida de se ver esse aplicativo e que se usado de maneira correta pode servir para alertar muitas mulheres sobre possíveis enrascadas (diga-se possibilidade de violência). Existem algumas travas dentro do próprio aplicativo que servem para evitar difamação no sentido de gerar processos para o site (o que é possível).
        Eu não possuo android e nem tenho o aplicativo por conta disso, mas achei interessante essa visão e quis compartilhar.
        De qualquer maneira, sua opinião é bem vinda.
        Amelia Autumn.

    2. Concordo com você. E fofoca é fofoca, não tem nada de legal nisso, seja entre homens ou entre mulheres. Também acho que não há nada de errado com o aplicativo, se o pessoal gostar continua senão, não. Não é o aplicativo e sim as pessoas que utilizam. Mas o clube da luluzinha e clube do bolinha é coisa antiga não é de hoje. babaquice total

    3. Oi Bob, tudo bem? bom, quis tentar ajudar vc a entender mais, o Lulu permite sim que os homens falem sobre eles, e ainda permite mais, entrando em contato com o site, Onlulu, e pedindo pra retirarem seu perfil, em até 72 horas, seu nome sairá do lulu e ninguém mais poderá acessar ou avaliar o seu perfil. E sobre ser revanchismo, acho que basta ler as tags para perceber que são criadas de maneira a não ofender, muito diferente da maneira masculina que ja tem até um protótipo e é bem mais pesado, se vc procurar vai achar. Bom eu discordo do ponto de que mulheres pararão de sair com caras mal avaliados no Lulu, pelo motivo acima, as tags são bobas, se fosse algo forte e capaz de ser prejudicial a moral de alguém, nao seria permitido pela apple ou qualquer outra empresa.

      1. O problema das tags foi o que disse em outro comentário, não é possível utilizar outras tags por conta de processos contra a empresa.
        Amelia Autumn

  2. Gostei muito do texto!
    Só discordo quando disse que “não existe sexismo contra homens”. Existe sim, é o femismo; mas não é nem de perto tão opressor, nem tem um milionésimo dos adeptos do machismo.

  3. Olá, Amélia.
    Estou tentando entrar em contato com a Ariane para uma entrevista para o jornal Correio Braziliense, aqui de Brasília. Como não tenho amizade com ela no Facebook, minhas mensagens vão para uma pasta escondida, que ninguém acessa. Você teria o email ou número de telefone dela?
    Agradeço desde já,

    Renata Rusky
    renatarusky@gmail.com
    (61) 32141156
    (61) 99116040

  4. Cara, o app é TODO calcado em critérios machistas pra definir as avaliações. Você chegou a mexer no app? O que define se o homem é mal educado é se ele PEDE PRA DIVIDIR A CONTA DO MOTEL. Daí pra baixo. Esse app não é feminista, porque ele reforça as regras do jogo (machismo) atual.

  5. Este app me cheira mais a “femismo” do que feminismo. Nem tudo que é feito por ou para mulheres é feminista.
    Dizer que a INTENÇÃO do aplicativo é feminista é acreditar com muita ingenuidade que quem cria um aplicativo com intenção de publicizar informações alheias, taxar alguém, classificar, lhe atribuir valores (bons ou ruins) sem que esta pessoa tenha autorizado não tenha previsto seu mau uso. Comercializar um aplicativo que permite que você julgue outra pessoa por atributos físicos, que julgue o caráter de alguém, seja homem ou seja mulher é irresponsável sim.
    Além do mais, feminismo para mim é algo além de “mulher cis hétero”,, é a mulher trans*, é o homem trans*, é o homossexual, é muito maior. Dizer que não existe sexismo com homens é completamente equivocado, para não dizer presunçoso.

  6. Ok, se o aplicativo disponibilizasse apenas opções para que as mulheres avaliassem os homens no quesito de machismo (se eles difamam mulheres por seus comportamentos sexuais liberais, se eles agridem mulheres, entre varias atitudes machistas) estaria MAIS OU MENOS ok, já que sso tudo poderia ser usado de forma mentirosa apenas para zoar e tentar se vingar de algum homem. Mas até que tudo bem. Acontece que até agora o aplicativo nem se quer tem hashtags referentes ao machismo e serve para objetificar o homem, dar nota à aparencia, sexo, ambições, qualidades, defeitos bobos e infantis. Onde que isso é feminista? Onde que essas opiniões rasas e anonimas sobre esses homens vão ajudar em alguma forma uma mulher que estiver interessada em conhece-lo? Sinceramente, espero que me respondam. Sou feminista, compreendo que a reação do oprimido não é equivalente à do opressor, mas sou contra esse tipo de objetificação para qualquer ser humano.

  7. De qualquer forma mesmo que esse seja um aplicativo para diversas conversas ele ainda traz a possibilidade de resenhar e avaliar homens, mesmo que esse não seja o foco (como dito no próprio texto), o que já é repugnante o suficiente. Entendi o ponto de vista de que seria válido para mostrar aquele cara que que te forçou a fazer sexo sem camisinha, que te ofendeu e tudo mais, mas na prática qualquer homem pode ser avaliado e mesmo que positivamente essa forma de lidar com o relacionamento não é legal.
    E sinceramente achei a comparação com o aplicativo para negros por negros muito inválida, porque o Lulu não está sendo usado para denunciar, está sendo usado da mesma forma que os homens conversam sobre mulheres, avaliando (porém eu reconheço que sem dúvidas as mulheres sofrem bem mais do que os homens estão sofrendo com esse aplicativo). E ao contrário do que foi dito, de que o problema não é o aplicativo, mas sim a forma como ele está sendo usado, o problema é o aplicativo sim, pois se fosse criado para denunciar teriamos a hashtag ‘#forçaafazersexo’ e não ‘#piormassagemdomundo’ ou ‘#trêspernas”

  8. Vi o aplicativo e conversei com várias amigas que usaram. E é sim um espaço onde a pessoa que é julgada não pode se defender, além de que ele pode ser usado para difamar os homens.
    Eu, particularmente, ficaria muito irritada se várias pessoas ficassem me dando notas e avaliando meu desempenho sexual, minhas qualidades e defeitos em um local onde todos homens tivessem acesso menos eu.
    Entendo que precisamos de um espaço seguro de discussão entre mulheres, e concordo! Compartilho das ideias feministas. Mas, certamente, essa é uma maneira muito enviesada de fazer isso. É bobo, injusto e acaba tornado-se vazio.

  9. Eu ja tinha visto o app na loja do android e achei meio besta,deixei passar,afinal acho errado ficar classificando as pessoas,sejam elas homens ou mulheres.Mas dois dias depois vejo o app dar uma repercussão danada,fui ler as materias sobre o app pra entender o porque, até dei uma outra olhada na loja do android pra entender melhor sobre o aplicativo.Bom,minha opinião continuou a mesma.Mas Bob entendo seu ponto de vista sobre não querer ser classificado sem ao menos poder se defender ou saber o q estao falando sobre você,e também entendo a proposta do aplicativo ser útil para que mulheres possam se comunicar entre si de uma forma segura.Mas acho que a discussão acerca do aplicativo vai além,porque ja existe inclusive apps,sites,entre outros de homens classificando mulheres e os homens acham isso super normal,mas quando é ao contrário não pode,é errado,é sexismo.E eu vejo muitos outros exemplos acontecerem com livros feito para mulheres,sites feito para mulheres,tudo feito para mulheres recebe uma critica extraordinária. Vi esse post sobre um aplicativo feito em resposta ao Lulu, e vi exatamente o que o texto falou acima de os homens acharem que as mulheres estao classificando pintos e de os apps para homens sempre pender para o lado pornográfico e difamatório. http://jornalvdd.com/baseado-no-lulu-aplicativo-pepeka-classifica-desempenho-feminino/. Enfim,essa é a minha opinião sobre o assunto.

  10. Eu ja tinha visto o app na loja do android e achei meio besta,deixei passar,afinal acho errado ficar classificando as pessoas,sejam elas homens ou mulheres.Mas dois dias depois vejo o app dar uma repercussão danada,fui ler as materias sobre o app pra entender o porque, até dei uma outra olhada na loja do android pra entender melhor sobre o aplicativo.Bom,minha opinião continuou a mesma.Mas Bob entendo seu ponto de vista sobre não querer ser classificado sem ao menos poder se defender ou saber o q estao falando sobre você,e também entendo a proposta do aplicativo ser útil para que mulheres possam se comunicar entre si de uma forma segura.Mas acho que a discussão acerca do aplicativo vai além,porque ja existe inclusive apps,sites,entre outros de homens classificando mulheres e os homens acham isso super normal,mas quando é ao contrário não pode,é errado,é sexismo.E eu vejo muitos outros exemplos acontecerem com livros feito para mulheres,sites feito para mulheres,tudo feito para mulheres recebe uma critica extraordinária. Vi esse post sobre um aplicativo feito em resposta ao Lulu, e vi exatamente o que o texto falou acima de os homens acharem que as mulheres estao classificando pintos e de os apps para homens sempre pender para o lado pornográfico e difamatório. http://jornalvdd.com/baseado-no-lulu-aplicativo-pepeka-classifica-desempenho-feminino/. Enfim,essa é a minha opinião sobre o assunto.

  11. sempre gosto dos textos aqui, e tenho lulu. ..as achei tão triste quanto qualquer machismo dizer “Os homens são tão nojentos que nem eles querem lidar com os modos de dominação da supremacia masculina voltados contra eles.”. Essa generalização me soa como uma desevolução do pensamento feminista. Muitos homens precisam evoluir o que pensam sobre os sexos, não as mulheres se tornarem iguais as eles. Esse sentimento é muito negativo e vingativo.. pensamento pequeno

    1. Ana, esse texto foi retirado do facebook de uma autora feminista.
      Talvez seja interessante avaliar outras postagens dela ou mesmo comentários dela sobre o aplicativo para entender melhor seu ponto de vista.
      Obrigada pelo seu comentário e continue acompanhando o Womansplaining e mandando seus comentários.
      Grata, Amelia Autumn

    2. in genuidade minha cara…feminista perde muito por causa dessa ingenuidade….acha mesmo que reação feminina é vingança? eles tem nos escutados quando reclamamos da nossa objetificação? me diga se algum site de mulher pelada fechou.

  12. Meu, desculpa. Sou feminista até os ossos e não concordo com o que foi escrito. A SUA intenção ao utilizar o Lulu é boa, ok, mas pode ter certeza que a intenção da maioria das usuárias não o são. Apenas pelo fato de ser uma ferramenta anônima, já dá espaço para todo tipo de escrotidão, e isso faz do Lulu algo tão boçal quanto o próprio machista que dá nota para os corpos das mulheres.
    Agir igual a eles é concordar com eles.
    Hoje em dia, graças à internet, temos muitas outras ferramentas para nos unirmos contra isso. Eu ODIARIA ser avaliada em um app por homens anônimos, e sei que não estou sozinha. Por este simples fato, não concordo com o app.

  13. Como eu não tenho smarth phone não conheço o aplicativo, mas do que li (e li muita coisa) não vi nada sobre o que você está falando. Só li sobre hastags imbecis como “curte romero brito” e “usa rider”, questiona se paga a contas (temáticas super feminista) e fala se é romântico e bom de cama. Se o objetivo fosse falar de coisas relevantes nem haveria essa tolice de dar nota.

    Pra mim esse app não tem nada de feminista, mais atrapalha que ajuda.

    1. A questão das hashtags é a forma como as usuárias utilizam o aplicativo, não a proposta por trás dele.
      Não é possível usar tags como #abusivo #estuprador #violento ou coisa do tipo porque isso poderia acarretar um processo e o aplicativo ainda está em fase de teste.
      O post fala sobre a proposta, e não sobre como cada usuária fará uso dele.
      Amelia Autumn

  14. este aplicativo pode ser qualquer coisa, menos que ele é feminista. por favor, procure saber o que é o feminismo antes de divulgar idéias equivocadas. já é tão difícil algumas pessoas entenderem o feminismo, e esse tipo de afirmação atrapalha ainda mais o entendimento.

    1. Isabelle, nós aqui fazemos uma trabalho muito sério dentro do movimento feminista. Todxs nós, colaboradorxs temos coletivos fora da vida virtual e nossa proposta é trazer a discussão temas polêmicos.
      Acredito que você talvez não tenha entendido a proposta dessa postagem, que é de uma feminista muito respeitada.
      Aconselho olhar outros posts para entender nossa proposta.
      Grata, Amelia Autumn

      1. Não adianta ficar repetindo que foi uma ‘feminista respeitada’ quem escreveu o texto porque para muita gente ele simplesmente não está de acordo. E acho impressionante como qualquer ideia discordante aqui é classificada como tida por alguém que não entendeu a proposta.

      2. Não tiro o mérito de opiniões discordantes, mas muita gente fala sobre a questão do uso individual do aplicativo quando a ênfase da autora é sobre a intenção na criação.
        Amelia Autumn

      3. Não você não está trabalhando a sério! Você escreveu o texto sem conhecer o aplicativo, baseada apenas nas declarações da criadora do mesmo e não quer admitir que errou.
        .
        Quando um homem pede pra sair do Lulu é essa mensagem que recebe:

        “Só para entender: nós estamos oferecendo-lhe acesso a mais de um milhão de meninas – meninas que estão aqui especificamente para olhar para você, falar sobre você, e dar-lhe a atenção – e você não está interessado. Você tem coisas melhores para fazer. Você preferiria estar em outro lugar. Nós obtê-lo. Realmente. Isso não parece louco em tudo.”

        Isso é feminista? Isso é feminismo?

        A autora do aplicativo disse que fez o app para as mulheres e não está preocupada em ganhar dinheiro e o Feliciano diz que quem ajuda a igreja vai para o céu. Muita irresponsabilidade da sua parte escrever sem ter entrado no aplicativo e muita arrogância sua não admitir seu erro.

        Ver uma pessoa que se diz feminista defendendo o Lulu é um atraso ao feminismo e fazer isso por ego é repulsivo! Tem VÁRIAS mulheres aqui falando que ele não é feminista, mulheres que entraram e usaram. Se você é feminista mesmo faça um favor as mulheres e apague esse texto

      4. Achei seu comentário bastante agressivo e desnecessário agir dessa maneira quando o diálogo está em aberto.
        Eu não sou a autora do texto. Eu repostei o texto de autoria de OUTRA pessoa e portanto não posso responder como se fosse a autora, pois não sou.
        O post dela (o link está logo no começo, é só clicar) para diálogo é aberto e você pode contra-argumentar diretamente com a autora, colocando o seu ponto de vista.
        Em nenhum momento estamos aqui para sustentar ego ou algo do tipo, tanto é que para evitar exposições e holofotes desnecessários usamos pseudônimos, todas.
        Acho que é possível dialogar e compreendo sua maneira de pensar, só não concordo.
        E me desculpe, mas esse blog é meu, e acredito naquilo que posto aqui. Portanto, se não concorda com a postagem é um direito todo seu. Mas eu não vou deletar esse texto só porque existem opiniões discordantes.
        A intenção é abrir diálogo e ver novos pontos de vista.
        Amelia Autumn.

      5. A autoria não é sua? Mas você esta respondendo pelo site. Ou não?

        Se não foi você que fez, apenas repostou e uma dezena de pessoas QUE ANALISARAM o aplicativo e estão falando que o texto está errado. Qual o problema em apaga-lo?

        Estou sendo agressiva, pois estou vendo diversas pessoas falando ‘o texto está errado’ ‘o texto está errado’ ‘o Lulu é machista’ Mas você insiste que não, sendo que nem você nem a autora do texto analisaram o app.

        Quando um blog ou qualquer pessoa que se diz feminista vai lá e fala que algo que é tremendamente machista representa o feminismo é um desfavor que faz ao feminismo.

        Você acredita no que você posta aqui? Então porque você acredita não pretende apagar o texto…. E ainda fala que não é ego….

        Beleza então!

      6. Se você já teve uma conversa com a autora sobre o assunto, não vejo porque dar continuidade ao que você diz.
        Obrigada pelo comentário, Amelia Autumn.

      7. Ontem fiz o que você indicou, entrei no facebook da autora e conversei com ela. Ela me informou que navegou sim no app e continua tendo certeza de que ele foi feito pra beneficiar as mulheres. EU tenho certeza de que ele foi apenas um insight de uma pessoa que viu numa conversa de bar a possibilidade de enriquecer facilmente.

        Não sabia que existiam correntes dentro do feminismo. Se essa postura neurótica de ódio, vingança e segregação, for mesmo feminismo então nunca mais me direi feminista.

  15. Eu não tinha achado o app feminista, mas lendo este texto – diga-se de passagem muito bem escrito e parabenizo a autora pela pesquisa minuciosa, uma etnografia virtual – concordo com o conteúdo descrito. O problema é que muitas mulheres que possuem a mentalidade machista, o estão usando como revanchismo e depreciação, o que sim, se coloca em igualdade a objetificação feminina feita pelo homens. Contudo, a proposta é interessante e serviu para muitos repensarem a sociedade machista e patriarcal que vivemos que é prejudicial aos homens tb. O que pensei mais foi que, nessa hora, onde estão aqueles que dizem que não temos senso de humor? Que riem das piadas reaças de Danilo Gentili, Rafinha Bastos, cia e dizem, “É só uma piada!”? Quando muitas usaram essas justificativas para as hashtags “engraçadinhas” se revoltaram. Pensem nisso tb! Não apoio difamação de ngm, mas baixei ri um pouco e admito o erro. O pior de toda essa história, está por vir e é um tal de Tunny app. Já viram a descrição? “Você já ficou curioso para saber se aquela sua amiga do facebook é uma piranha na cama ? O Tubby vai te ajudar a encontrar essa resposta!” Total depreciativo! Já denunciei ao Safernet. Quem puder faça o mesmo.

  16. Sinceramente, não me incomodo com este app como também não acredito que ele vá mudar e resolver alguma coisa. Não sou machista, pelo contrário, apoio as mulheres em seu movimento de libertação. Mas acho que a verdadeira luta do feminismo não é esta. Acredito na educação. Devemos ensinar nosso filhos a ser mais tolerantes e respeitosos com todos, independente de sexo, cor, raça, posição social e assim por diante.

    1. Filipe, a tolerância significa permitir APESAR DE que a pessoa seja dessa forma.
      Acredito que precisamos reeducar nossa sociedade.
      Bacana apoiar a luta feminista mas é preciso ter uma consciência de que os privilégios continuam matando mulheres diariamente.
      Obrigada pelo seu comentário
      Amelia Autumn

  17. Este site não é parical, imparcial, feminista, não fiminsta, culto ou não culto.

    Simplesmente citou um levantamento pessoal e parcial, quem quis ser a favor foi, quem quis ser contra foi também. att

    1. Rafael, não respondi anteriormente seu comentário pois estou atarefada com as coisas da faculdade e só tive tempo de dar uma olhadela por 5 minutos. Gostaria que reenviasse sua mensagem pois alguém a apagou (eu havia deixado separado para ser respondida) através do site ou do email (onde poderiamos dialogar em tempo real, mais facilmente do que aqui, pois entro para postagens novas apenas).
      Agradeço a compreensão e peço perdão pelo incômodo gerado por conta da minha demora em responder.
      Amelia Autumn

      ps: havia me esquecido de passar o email. O email é thelithiumgirl@gmail.com, grata.

  18. mais um texto com uma visão totalmente oposta ao expresso aqui. caso a redação do blog tenha interesse, recomendo bastante 🙂

  19. Cara,é assustador…os homens nos prostituem,nos vioolentam,nos objetifiocam,nos matam,mas tudo isso é racionalizado,aí faxzem um reles palicativos de celular,e pronto! o mundo desaba!! que porra é essa?? E que porra é essa de mulher defendendo machinhos ofendidos?? Eles pensam na gente na hora de se punhetar lá nos sites onde nós estamos explicitamente vulgarizadas,onde muitas vezes tem incentivo ao estupro?? Aí eles vem aqui ficar de mimimim? O que é isso,patrulhamento machista com suporte feminino?? Podem ter certeza que não vamos ganhar póntos com eles tendo essa atitude meninas,eles vão continuar nos consumindo como objetos quando isso acabar.

    desculpa os palavrões mas essa mania de defender homem é de dar nos nervos,como se eles precisassem ser defendidos ainda mais pelo movimento feminista.

  20. Concordo com a Yume, homens são TÃO, TÃO egoístas.
    Eu nem sei porque não responde isso antes, o app não é feminista, mas foi engraçadinho ver tanto macho fingindo que tava sofrendo opressão.
    Não gosto quando diz “avaliando pintos” porque homem acha que a vida se resume a isso.

    Ah, importante relembrar:
    Texto sobre violência doméstica: 0 homens comentam.
    Texto sobre preconceito contra lésbicas/bi: 0 homens comentam
    Texto sobre sexualidade feminina em geral: 0 homens comentam
    Texto sobre pessoas deficientes e vida amorosa: Adivinhem?

    Os únicos tipos de texto onde eles deixam de ser leitores fantasmas é quando escreve texto anti-pornografia e textos como esse do LuLu. Me dão nojo.

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