Parto humanizado e o serviço de doulas: Desmistificando

Gostaria de agradecer à Luana Xavier que se dispôs para escrever esse texto, explicando o que é o parto humanizado, o que é o serviço de uma doula, desmistificando todos os sensos comuns sobre o parto e mostrando que há opções menos agressivas e violentas para mulheres que passam por esse momento.

Obrigada por dividir conosco seu conhecimento, experiência, por ter dedicado tempo e coletado tantas informações enriquecedoras para que as mulheres que estão grávidas, possam procurar se aprofundar mais nessas questões e tirar suas dúvidas.

Fui convidada pelo blog para falar sobre aquilo que é o foco da minha militância feminista: a humanização do parto e do nascimento. Este assunto me mobiliza de tal modo que modificou, inclusive, minhas aspirações profissionais: formei-me doula e educadora perinatal após 1 ano militando pela causa e de ter percebido que precisamos cada vez mais da inserção destas novas figuras no cenário de atenção ao parto em nosso país. Além disso, sou uma das moderadoras no facebook do grupo Cesárea? Não, obrigada!, bem como integro a rede Parto do Princípio – cuja luta é focada nos direitos e no protagonismo feminino nos processo de gestação, parto e pós-parto. Vou destrinchar, com este texto, as bases principais para o entendimento acerca de nossa luta e vocês podem me contatar depois em caso de dúvidas remanescentes.

Acho que o primeiro passo é esclarecer o que é o parto humanizado. Quando falamos em humanização do parto e do nascimento estamos nos referindo a um conjunto de práticas que serão adotadas com o propósito de garantir ao binômio mãe-bebê o máximo de respeito ao protagonismo feminino, às suas escolhas e decisões a respeito de gestar e parir; bem como o mínimo de intervenção possível (e que seja, de fato necessária quando houver) em todo o processo fisiológico, condicionada à escolha informada da mulher, baseada em evidências científicas sólidas, e dentro de uma lógica de individualização do cuidado. Infelizmente, isto não é o que vem ocorrendo em nosso país, o que leva a alarmantes 52% de cesáreas entre as redes pública e privada (dados do Ministério da Saúde) – quando o aconselhado pela OMS seria 15% – e ao índice de que 1 a cada 4 mulheres sofrem violência obstétrica em nosso país (dados da Fundação Perseu Abramo).

Deste modo, nosso movimento preconiza que a mulher seja amplamente esclarecida sobre a fisiologia do parto e do nascimento; as possibilidades de locais onde o parto pode ocorrer e de escolha de equipe para assisti-la; as alternativas (farmacológicas ou não) de alívio da dor no trabalho de parto; o direito de ter um acompanhante ao seu lado no pré, parto e pós-parto; os procedimentos que o bebê deverá ou não ser submetido ao nascer; a possibilidade de ter uma profissional (doula) que auxilie neste momento, dentre outras questões. Nós acreditamos que o parto é um evento fisiológico e que deve ser levado como tal. Assim, a adição de intervenções só deve ocorrer quando há uma indicação clara e deve ser discutida e autorizada pela parturiente.

Há, ainda, muita desinformação a respeito da humanização e muitos conseguem vender gato por lebre por aí. Apontam o uso de incensos, música na sala de parto e velas como humanização. Ok, estes artifícios são utilizados, caso a mulher deseje, em muitas situações, mas humanizar não é só isso, como pudemos perceber; entramos, então, no difícil  processo de encontrar alternativas à realidade violenta na qual estamos inseridas.

Como apontei mais acima, vivemos um momento de extrema medicalização e violência no parto. Como situações de crise sempre geram respostas à altura, igualmente temos visto o crescimento da mobilização em torno das condições para que as mulheres tenham acesso a serviços cada vez melhores na hora de parir. A criação de demanda por nossa parte dá o tom desta mudança: atualmente, estamos em franco desenvolvimento da Rede Cegonha, do Ministério da Saúde, com experiências bastante contundentes, como ISEA, em Campina Grande e a Maternidade Sofia Feldman, em Belo Horizonte. Além disso, cresce o número de equipes particulares que estão adequando suas práticas e se tornando opções de qualidade para as mulheres.

A dica mais preciosa para quem quer conseguir um parto humanizado em sua cidade é procurar um grupo de apoio. Os grupos de apoio apoiados pela Parto do Princípio são grupos presenciais, periódicos e gratuitos, que se reúnem com o intuito do empoderamento da mulher e do casal grávidx para a gestação e parto. Nestes grupos, circulam informações a respeito das possibilidades que são encontradas em cada cidade para conquistar o parto desejado. Ouvindo as experiências de outras mulheres, como se deu a conduta da equipe que as acompanhou e como foram os desfechos dos partos, as gestantes se munem de muito mais informação e dados para elas mesmas buscarem seus caminhos próprios. No site da Parto do Princípio há uma lista deles (http://partodoprincipio.blogspot.com.br/2011/09/lista-de-gapps.html).

Outro conselho é buscar uma doula. A doula é uma profissional que dará apoio físico e emocional para a mulher na gestação, no parto e no pós-parto. A doula ajuda no empoderamento, fornecendo informações baseadas em evidências científicas; atua no parto com massagens, relaxamentos, auxilia a parturiente a encontrar posições confortáveis e blinda a mulher de eventuais interferências do ambiente naquele momento; e atua no pós-parto com auxílio à amamentação e cuidados com o bebê. A figura da doula não deve ser confundida com a do acompanhante, uma vez que ele está envolvido emocionalmente com aquele momento. A doula também não executa procedimentos técnicos, cabendo estes à equipe de escolha da parturiente. Há um site onde existe um cadastro de doulas (http://www.doulas.com.br/) que atuam em nosso país.

Indico também que vocês assistam ao documentário O renascimento do parto, de Eduardo Chauvet e Érica de Paula. Este é um filme que desnuda a realidade obstétrica de nosso país, mostrando todas as faces do problema multifatorial que enfrentamos e que levou aos números alarmantes que já expus. O filme já se encontra à venda em DVD e há exibições gratuitas acontecendo em várias cidades do país.

Por último, com a internet, o empoderamento feminino foi facilitado em muitas frentes e no que se refere ao parto não poderia ser diferente. Há uma série de grupos no facebook, bem como listas de discussão e sites que dão informações a respeito da humanização do nascimento. Deixo aqui uma lista deles que pode auxiliar, e muito!, nessa busca.

Eu quero parto normal! (site com informações para busca do parto normal) – http://www.euqueropartonormal.com.br/eqpn/

Cesárea? Não, obrigada! (grupo de apoio virtual ao parto natural e contra as falas indicações de cesariana) – https://www.facebook.com/groups/cesareanao/?fref=ts

Estuda, Melania, estuda! (blog da Prof. Dra. Melania Amorim, obstetra de Campina Grande, referência da humanização em nosso país) – estudamelania.blogspot.com.br

Cientista que virou mãe (blog sobre humanização do parto, maternagem consciente e medicalização da infância) – http://www.cientistaqueviroumae.com.br/

GAMA (Grupo de Apoio à Maternidade Ativa) – http://www.maternidadeativa.com.br/

Parto no Rio (site de informações sobre como parir no Rio de Janeiro) – http://www.partonorio.com/

Contribuição e texto de Luana Xavier

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s