A Evolução da E3: Mulheres nos Games

A Evolução da E3: Mulheres nos Games

A indústria de games vem enfrentando dificuldades em lidar com seu público feminino, que a cada ano cresce mais. Segundo o The Guardian, 52% dos gamers são mulheres. Se estão jogando Kim Kardashian: Hollywood ou Call of Duty, a pesquisa não especifica. Mas mesmo assim, um público que era de 49% três anos atrás cresceu 1% ao ano. Um dado assim não deveria ser ignorado, deveria?

Por muito tempo, foi. Lembro que em 2013 eu estava me formando na faculdade de Design da USC, em Bauru, e desenvolvi o concept-art de um game com uma protagonista feminina. Naquele ano, foi apresentada a E3 2013, feira anual da indústria de video games, onde acontece muita coisa. Uma das mais importantes é o anuncio de novos games e novos projetos. No ano em que desenvolvi minha pesquisa, não foi apresentado nenhum jogo com personagem feminina em toda a apresentação da Microsoft, que durou por volta de 1 hora. Não digo nem personagem feminina protagonista. Personagem feminina no geral, mesmo. Nenhuma. Qual era minha reação assistindo?

Já a E3 desse ano de 2015 já foi bem mais atualizada. Foi notável a evolução da indústria quanto a caracterização da mulher. Ainda que não considerada perfeito, o avanço foi muito bem vindo. Os primeiros sinais de mudança foi logo no primeiro dia, quando a Bethesda anunciou que você poderá jogar o novo game deles, Fallout 4, como mulher. Nenhuma grande inovação nos games, já que já era possível jogar como mulher em tantas outras histórias, como Mass Effect e Dragon Age.

Bioware sempre foi um passo à frente em relação a questões sociais, abrindo espaço para que outras empresas se sentissem confiantes para seguirem suas tendências. Ano passado a Bioware lançou Dragon Age 3, com um personagem transexual na trama. Esperamos que com o tempo as outras produtoras de jogos façam o mesmo! Enfim, voltando a E3, uma das maiores surpresas foi Horizon: Zero Dawn. Nele, você joga como Aloy, uma experiente caçadora, explorando um mundo lindo e fantástico, com estranhas criaturas robóticas que não batem muito com o ar indígena da tribo de Aloy. O fantástico da caracterização de Aloy é que ela não cai nos clichés femininos. Ao olhar pra ela, você já vê que se trata de uma personagem forte e interessante, o que estava faltando no mercado. Haviam algumas personagens femininas, e as poucas que existiam eram rasas. As que foram apresentadas na E3 nos deram esperança.

Mirror’s Edge: Catalyst apresentou uma personagem feminina que já conhecíamos, Faith Connors. E por que ela é importante, então? Além de forte e independente, Faith Connors é asiática. A maioria das personagens femininas nos games, salvo raras exceções, tentam apelar ao gosto ocidental, ou seja, são brancas. Faith Connors s destaca nessa diferença, provando que um Action RPG pode ser protagonizado por uma moça, sim! É importante que minorias, principalmente étnicas, possam se ver na mídia mainstream de forma não-estereotipada. Já temos personagens como Chun Li, mas estamos em 2015. Já temos como melhorar uma fórmula repetida anualmente desde 1987.

Não sabemos muito sobre ReCore além do casting de produção e que a protagonista é feminina. É tudo um mistério, mas é perceptível que se trata de um mundo sci-fi. Muitos críticos disseram que parece uma mistura de Star Wars com Wall-e. Ciência é um dos caminhos menos encorajados às meninas em todo o mundo. Neil deGrasse já falou lindamente sobre o assunto, de como homens negros e mulheres não tem o mínimo de incentivo, seja pela família ou sociedade, à perseguir carreiras científicas. Com a protagonista mulher de ReCore e um protagonista negro no novo Star Wars: Episódio VII, talvez o sci-fi tenha mais espaço para essas minorias e, com o tempo, nossos cientistas podem ser de gêneros e etnias mais diversas.

A nova Lara Croft (favor não confundir com a antiga) é uma das personagens favoritas da autora deste texto, então não era de se esperar menos do que muita expectativa para The Rise of Tomb Raider, segundo game da franquia desde o reboot de 2013. Quando fiz meu TCC, Tomb Raider era um dos poucos jogos atuais que pude citar com uma protagonista interessante. Além dos desafios de aventura que Lara deve enfrentar, parecem existir problemas psicológicos dos quais ela precisa lidar. Imagina-se que seria natural uma pessoa que passou por tudo que ela passou no primeiro jogo ter alguns traumas e stress pós traumático, mas games costumam ignorar (ou simplesmente esquecer) questões de cunho mentais. Você conhece alguém com depressão, ou com síndrome do pânico? Bipolar? Autista? Um personagem com problemas psicológicos e/ou mentais, além de realista, é bastante necessário.

Esta última E3 nos deu uma ótima oportunidade para provarmos que era isso o que pedíamos. Já faz quantos anos que pedimos personagens assim? Então, pessoal que curte game, vamos apoiá-los! Quando Horizon estava em desenvolvimento, a Sony comentou que tinham medo de lançar o game com uma protagonista feminina. Mas eles lançaram, e isso é ótimo. Vamos provar que é isso o que queríamos e que as decisões tomadas pelos estúdios que nos levaram até esta última E3 foram boas!

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