Life is Strange: Meninas investigando crimes contra meninas

Life is Strange: Meninas investigando crimes contra meninas

Atenção: Este post possui spoilers de até o quarto episódio de Life is Strange. Square-Enix publicou um game interativo chamado Life is Strange em 29 de janeiro de 2015. Decidiram que o game seria dividido em 5 episódios publicados a cada dois meses. 7 meses depois, com 4 episódios já publicados, Life is Strange é com certeza um dos games feministas mais relevantes da atualidade. Mas do que se trata Life is Strange? Como eu já havia postado em outro blog, o Junta 7, Life is Strange é centralizado na vida de Max Caulfield, uma estudante de fotografia que ganha do nada a habilidade de rebobinar o tempo. Isso mesmo, da mesma forma que voltávamos alguns segundos em um filme VHS, Max possui esta ferramenta na vida real, possibilitando a análise de fatos e uma segunda chance na retomada de decisões.

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Nossa mais que amada protagonista hipster, Max Caulfield

Max então decide usar seu poder para investigar acontecimentos estranhos na cidade de Arcadia Bay. Além do aparecimento de seus poderes e mudanças climáticas repentinas, esses acontecimentos estranhos são crimes praticados contra mulheres, com duas vítimas: Rachel Amber e Kate Marsh. Kate Marsh sofre um tipo de violência que vemos praticamente todos os dias. Kate é uma menina religiosa e considerada pelos outros estudantes como puritana, já que incentiva a espera até o casamento para ter relações sexuais. Na escola em que Max e Kate estudam, existe um grupo chamado The Vortex Club, e este grupo realiza festas que todos comentam por toda a cidade. Kate decide participar de uma, onde ela é drogada por outro estudante enquanto o resto do Vortex Club grava em seus celulares Kate realizando atos dos quais ela e sua família abominam. Em questão de horas, o vídeo de Kate está espalhado por toda a internet e campus, levando a garota a sofrer intenso bullying todos os dias.

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Kate Marsh já apresentando sinais de depressão

Kate não se lembra dos detalhes do que aconteceu na noite em que foi drogada, apenas lembra que alguém a levou embora e não para o hospital, indicando que ela possa ter sofrido algum tipo de violência (que mais tarde é descartada como violência sexual). O bullying se intensifica ao ponto de levar Kate à uma depressão profunda, levando-a a tentar cometer suicídio. Os poderes de Max não funcionam durante esta cena, então é possível sim que Kate cometa o suicídio e morra. Como prestei bastante atenção nos sinais e nas palavras de Kate, consegui salvá-la no meu jogo, muito para o meu alívio. Mas esta não é uma realidade de todos os jogadores, e nem de todas as vítimas de revenge porn ou intimidade divulgada na web.

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Caso você consiga salvar e dar esperança à Kate

Hospitalizada ou falecida, o acontecimento dá ainda mais combustível para que Max investigue quem são os culpados pelo terror na vida de Kate, bem como achar uma possível ligação com o desaparecimento de Rachel Amber.

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O pôster de desaparecimento de Rachel Amber

Rachel já está desaparecida desde o começo do jogo: nós nunca chegamos a conhecê-la, apenas julgamos sua possível personalidade pelo que outras pessoas comentam. Rachel é comumente vítima de slut-shaming por parte dos outros estudantes que a conheceram e só lembrada por uma possível conduta questionável, mesmo sendo uma aluna com notas altíssimas. Com o desenvolvimento da trama, Max e sua melhor amiga Chloe vão descobrindo a podridão por trás da escola Blackwell e do Vortex Club, até que elas descobrem o que realmente aconteceu com as meninas durante as festas. kate-marsh-dormindo Descobrimos no episódio 4 que as meninas foram drogadas para servirem de modelos para os fotógrafos Nathan (aluno) e Mr. Jefferson (professor), dois homens em posição de poder em relação às meninas drogadas. Nathan Prescott vem de uma família rica e altamente influente, e Mr. Jefferson é aquele professor legal que as meninas confiam e acham gentil. Algumas das fotos tiradas são perturbadoras e para ilustrar este post, resolvi usar a menos assustadora. Além de fotos de Kate Marsh, são encontrados arquivos e mais arquivos de outras meninas, dezenas delas, incluindo a própria Rachel Amber. Pela localização de uma das fotos, Chloe consegue encontrar Rachel. O corpo de Rachel. Rachel, ao que tudo indica (salve alguma mudança gritante de enredo no próximo episódio) foi vítima de feminicídio, onde existe morte intencional de pessoa do sexo feminino. Rachel foi usada e descartada por ser mulher e por ser bonita, como um pedaço de papel sem valor.

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É no final do episódio, quando Chloe leva um tiro e Max está com uma arma apontada em sua cabeça, que vemos que todos os atos criminosos e de violência realizados em Life is Strange são contra mulheres e porque elas são mulheres. As únicas pessoas interessadas em investigar e solucionar o caso também são mulheres, o que fecha um ciclo de irmandade feminina. Meninas que não se conhecem, como Chloe e Kate, e meninas que não se dão bem, como Max e Victoria, estão ali uma pela outra, uma para proteger a outra. E é assim na vida real também. Meninas tem que dar as mãos umas para as outras logo na juventude se elas querem se proteger da violência masculina e patriarcal, todas fazendo parte da narrativa de Life is Strange. É por isso que esse jogo é importante para as meninas. Porque são meninas protegendo meninas.

Quando Chloe e Max encontram o corpo de Rachel

Fonte da imagem de capa

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