Categoria: Games

Metal Gear Solid V e o estereótipo personificado

Metal Gear Solid V e o estereótipo personificado

Primeiramente, preciso dizer que desde a infância sou muito fã da série Metal Gear Solid. Snake é um dos meus personagens favoritos e eu simplesmente adoro aquela jogabilidade, sou muito fã de jogos stealth. Segundamente, também é necessário que eu te informe, queridx leitorx, que eu não joguei Metal Gear Solid V ainda. Por falta de tempo, por falta de dinheiro. Todo mundo sabe como games estão caros aqui no Brasil, mas isso é assunto pra outro post. Minhas opiniões sobre o assunto aqui tratado são referentes ao que eu li sobre Quiet, aos vídeos que assisti, e sobre o merchandising da personagem. Vamos lá então?

Vale lembrar que, apesar de eu não ter jogado MGS V, existe alguns spoilers brandos sobre a personagem aqui nesse post. Esteja avisado, marujx!

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Life is Strange: Meninas investigando crimes contra meninas

Life is Strange: Meninas investigando crimes contra meninas

Atenção: Este post possui spoilers de até o quarto episódio de Life is Strange. Square-Enix publicou um game interativo chamado Life is Strange em 29 de janeiro de 2015. Decidiram que o game seria dividido em 5 episódios publicados a cada dois meses. 7 meses depois, com 4 episódios já publicados, Life is Strange é com certeza um dos games feministas mais relevantes da atualidade. Mas do que se trata Life is Strange? Como eu já havia postado em outro blog, o Junta 7, Life is Strange é centralizado na vida de Max Caulfield, uma estudante de fotografia que ganha do nada a habilidade de rebobinar o tempo. Isso mesmo, da mesma forma que voltávamos alguns segundos em um filme VHS, Max possui esta ferramenta na vida real, possibilitando a análise de fatos e uma segunda chance na retomada de decisões. Continuar lendo “Life is Strange: Meninas investigando crimes contra meninas”

Por que 2015 precisa de um protagonista de 1997?

Por que 2015 precisa de um protagonista de 1997?

Este post contém spoilers. Final Fantasy VII é um JRPG clássico e conhecido por qualquer gamer, tendo ele jogado ou não. Foi lançado pela primeira vez em 1997 e relançado para PC, relançado para PSP, para PS3, PS4 e agora será completamente refeito, com gráficos belos e atuais, tais quais usados pelos games mais recentes da última geração, como Last of Us e Destiny, jogos conhecidos pela sua beleza. Um remake era pedido por parte dos fãs desde meados de 2007, quando a produtora lançou um vídeo de como Final Fantasy VII seria se tivesse sido feito para PlayStation 3. Desde a revelação do remake em junho deste ano, na E3, o vídeo do trailer foi visualizado por volta de 11,000,000 vezes em duas semanas. Existem vídeos de 4 a 7 horas de fãs reagindo ao anuncio, com muita gritaria e alegria. Mas qual é a razão deste hype? Qual é a razão de um game de 18 anos ainda provocar euforia? Porque ele foi um marco na história?Pelo seu enredo e, mais importante, pelo seus personagens principais. Em específico, o protagonista da série, Cloud Strife. Podemos ver as costas de Cloud no trailer, e esta cena de pouco mais de 3 segundos gerou tamanha alegria aos fãs que é praticamente imensurável.

Reação do GameTrailers ao perceber que era um remake
Reação do GameTrailers ao perceber que era um remake

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A Evolução da E3: Mulheres nos Games

A Evolução da E3: Mulheres nos Games

A indústria de games vem enfrentando dificuldades em lidar com seu público feminino, que a cada ano cresce mais. Segundo o The Guardian, 52% dos gamers são mulheres. Se estão jogando Kim Kardashian: Hollywood ou Call of Duty, a pesquisa não especifica. Mas mesmo assim, um público que era de 49% três anos atrás cresceu 1% ao ano. Um dado assim não deveria ser ignorado, deveria? Continuar lendo “A Evolução da E3: Mulheres nos Games”

Machismo nos games – Nós somos o que jogamos?

Recentemente tive meu feminismo questionado por ser jogadora de GTA. Antes de mais nada, gostaria de contextualizar o jogo. Existem vários GTAs e cada um conta a história do protagonista dentro do seu contexto. No San Andreas, fala de uma cidade separada por gangues que dominam determinadas áreas e o jogo de poder envolvendo essas gangues. No GTA IV, que é o jogo que estou jogando no momento, conta a história de um imigrante que chega nos Estados Unidos e começa a ganhar a vida como assassino de aluguel. No meio disso, existem histórias machistas, racistas, homofóbicas, termos inapropriados, violência, uso de drogas. 
Não é um jogo leve, não é um jogo politicamente correto. Mas também em momento algum faz alusão ou apologia à esse tipo de comportamento. Quem acompanha a história e entende o funcionamento do jogo, compreende que o que acontece é um retrato dos guetos, de determinadas sociedades suburbanas americanas. Os desenvolvedores, antes de lançarem o GTA IV, fizeram uma longa pesquisa sobre os comportamentos, gírias e “vida nas ruas” no jogo. A linguagem é pesada, a abordagem é agressiva, mas é um jogo relato. Você pode sim querer não colaborar com isso, você pode sim se abster de ter contato com esse tipo de cenário, mas considerar uma colega como “feminista demagoga” por jogar um jogo que retrata isso, seria correto?
Antes de mais nada, vou explicar a razão pela qual me interesso por esse jogo especificamente. A jogabilidade dele é incrível. Os gráficos são incríveis. As possibilidades de relações, de interações dentro do jogo, o mapa, enfim, é um jogo completo. E a história é interessante. Se envolve violência contra mulher e objetificação, é porque mostra um contexto real e cotidiano. Não são situações gratuitas inexistentes criadas exclusivamente para aquele jogo, são diálogos e contextos apropriados de uma história que permeia determinado grupo. Não estou dizendo, em hipótese alguma, que concordo e que devemos nos calar e deixar que isso seja perpetuado, mas questionar a militância de uma pessoa por essa razão é como questionar por ler Bukowski ou Pedro Juan Gutiérrez, que também viviam num contexto específico e retratavam uma realidade que viviam diariamente. É como insinuar que crianças que jogam jogos com tiros consequentemente vão se tornar assassinos.
Existem muitos games machistas. A indústria de jogos é feita com foco masculino, o maior consumidor de games é o público masculino e os games, na sua maioria, têm uma abordagem machista. É muito comum ver jogos onde mulheres são objetos. Jogos onde as personagens masculinas usam armaduras protetoras e as femininas usam micro biquínis (que dentro de uma lógica não faz sentido, que proteção um biquíni pode dar?). E aí eu me pergunto, onde reside o problema maior: em um jogo como GTA, que retrata uma abordagem direta de um contexto social, ou um jogo como World of Warcraft (que eu jogo também, diga-se de passagem) que coloca as personagens femininas usando roupas minúsculas em contraponto às masculinas? E o que fazer a respeito disso? Podemos sim boicotar ambos, e nos privar de jogar algo com uma história surpreendente e uma jogabilidade incrível, o que para quem é fã de jogos sabe o quanto é importante. 
Acredito que a militância nunca deve parar. Em todos os contextos em que estamos inseridas, devemos nos questionar e nos perguntar se estamos colaborando com a cultura e perpetuação do machismo. Mas também me pergunto qual a melhor solução para algo tão arraigado, e como resolver de uma forma mais direta. E principalmente, acusar as colegas e questionar o seu ativismo, é algo muito grave. Sororidade é uma palavra que não deve sair de nosso vocabulário.

Katrina Gordon