Tag: feminismo

Capacitismo, saúde mental e militância virtual.

Vamos falar sobre saúde mental e capacitismo.
Pelo titulo sei que essa postagem não parece estar relacionada ao feminismo, mas ela está diretamente ligada a nossa vivência enquanto militantes feministas.
Vejo dentro dos ambientes virtuais de militância e acolhimento, diversas mulheres que sofrem de graves transtornos mentais como depressão, bipolaridade, borderline, entre tantos outros, que acabam se agravando e por conta disso, se afastando dos meios de construção e militâncias virtuais.
Muitas dessas mulheres que procuram esses grupos, o fazem porque viveram situações de verdadeiro horror e querem apoio emocional. Situações como relacionamentos abusivos, abuso sexual, transtornos alimentares, entre outros. E o que acabam encontrando, muitas vezes, é um ambiente de intolerância para aquelas que estão começando no feminismo, ou ambientes hostis em que não há vez para falarem sobre seus problemas.
É também importante frisar, que por conta de transtornos mentais ou outros tipos de transtornos, essas mulheres acabam vendo na internet, o seu único espaço de construção e militância, e esses fatores acabam por afastá-las e até mesmo agravar seus transtornos em decorrência da forma como nos tratamos dentro desses espaços de construção de conhecimento.
Muitas dessas doenças, vale frisar, são decorrentes desses traumas e abusos emocionais, e acabam se agravando pelos conflitos dentro de espaços que deveriam ser de acolhimento e segurança para todas nós.
Uma das maiores barreiras que encontro dentro desses espaços de conhecimento e debate das tantas teorias feministas, é a hostilidade entre mulheres e o capacitismo que acontece em relação à essas mulheres que sofrem desses transtornos, e a banalização de seu sofrimento. E isso é algo grave, e que interfere e muito na proposta de construção desses ambientes, e tem um impacto profundo na vida dessas mulheres, e isso precisa ser urgentemente debatido.
Para falarmos mais claramente sobre o que é o capacitismo e no quanto isso entrava nosso processo de construção e militância, vou colocar aqui, uma definição da palavra para que seu significado dentro desse assunto, saúde mental, fique mais claro.

“Defino o capacitismo como a concepção presente no social que tende a pensar as pessoas com deficiência como não iguais, menos humanas, menos aptas ou não capazes para gerir a próprias vidas, sem autonomia, dependentes, desamparadas, assexuadas, condenadas a uma vida eternamente economicamente dependentes, não aceitáveis em suas imagens sociais, menos humanas.

São algumas características: há sempre uma boa dose de paternalismo, que tolera que os elementos dominantes de uma sociedade expressem profundo e sincera simpatia pelos membros com deficiência, enquanto, ao mesmo tempo, sustente-os numa acondicionamento de subordinação social e econômica.”

Trecho retirado do blog https://chegadecapacitismo.wordpress.com/2012/11/23/entenda-o-que-e-capacitismo/

Ampliamos esse termo para as doenças e transtornos mentais, que podem ou não, dependendo de sua gravidade, serem considerados um tipo de deficiência.

A dose de paternalismo e o fato das pessoas dentro desses ambientes, muitas vezes hostis, e muitas vezes a manutenção dessa subordinação (e muitas vezes digo no sentido intelectual, não somente social e econômico) acaba por agravar os transtornos e dificultar o acesso dessas mulheres aos espaços de construção.
Além do capacitismo, muitas vezes camuflado de empatia, vejo uma boa dose de banalização da depressão, bipolaridade, ansiedade (que são problemas mais frequentes de se encontrar dentro desses espaços), diminuindo esses transtornos à um simples problema que pode ser resolvido com chás, meditação e outras formas de terapia alternativa, que em nada colaboram para a saúde mental dessas mulheres.
Acredito que um dos primeiros passos para garantir que esses espaços sejam seguros é respeitar de fato a autonomia das mulheres na construção de cada um deles, respeitando sempre que cada mulher vai descobrir pra si, a melhor teoria para debate, dentro de um espaço seguro onde as discussões não acabem de forma hostil.
Permitir que as mulheres ingressem nesses espaços sem que haja hostilidade, já é uma maneira de proteger sua saúde mental.
Outra coisa que acho importante, porque vejo em grupos de ajuda entre mulheres conselhos como tomar chás e esse tipo de coisa, aconselhar sempre a buscar um profissional da psicologia ou psiquiatria, porque ignorar que esses transtornos são graves e precisam de tratamento adequado, é colocar a saúde mental e segurança dessas mulheres em risco.
Não podemos ignorar também, que o fator exposição e escracho público e perseguição na internet acabam por agravar e até mesmo levar a consequências mais extremas, os transtornos mentais. Acreditar que esse tipo de situação que acontece na internet, acaba na internet, é ignorar que isso terá consequências bastante reais pra essas mulheres.
O capacitismo se desconstrói com informação, responsabilidade e acima de tudo, empatia. A palavra sororidade não deveria ser apenas um chavão feminista, ela deveria ser colocada em prática por todas nós.

Para conferir mais sobre o blog chega de capacitismo, clique aqui https://chegadecapacitismo.wordpress.com

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50 tons de repúdio à violência doméstica e ao capacitismo

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Como mulher e feminista, me senti na obrigação de escrever uma crítica pontual em relação ao 50 tons de cinza, filme baseado no livro de mesmo nome.

E lendo as resenhas críticas e outros pontos de vista em relação ao filme, senti raiva. Porque em todo e qualquer texto a respeito, estavam carregados de machismo, capacitismo e culpabilização.
Mas antes de entrar nessas questões, já deixo claro que essa postagem é uma nota de repudio direta à resenha crítica escrita por Pablo Villaça e à carta de uma psiquiatra dizendo as razões para que você, leitora, não fosse ao cinema assistir a esse filme.
Vou ser direta. 50 tons de cinza não é um filme romântico, não se trata de uma história de amor. 50 tons de cinza não é tampouco, um filme sobre BDSM. É um filme sobre abuso psicológico, abuso físico. O perfil do personagem principal demonstra claramente um desequilíbrio.
Ele trata sua parceira como trata suas coisas. Ele precisa ter o controle de sua vida, saber cada um de seus passos e ter a certeza de que ela pertence apenas à ele.
Não difere muito do que vemos nos casos de violência doméstica por aí. Homem controlador, abusador, que tem surtos de raiva e bate na parceira. Situações semelhantes e sintomáticas de todos os casos de abuso que conheço. O que difere é que o cinema deu uma visão romantizada do que é o abuso, de forma que se passa quase que imperceptível aos olhos daquelas que não conseguem perceber que já viveram relações abusivas muitas vezes semelhantes.
E elas não são culpadas, porque nossa sociedade a todo tempo normaliza e padroniza esses comportamentos como sendo parte natural do instinto do homem, o que não é verdade.
Chamá-lo de monstro tampouco torna compatível com nossa realidade. Pelo contrário, dá a ele uma característica quase que caricata, afastando completamente daquilo que vemos diariamente. E bem sabemos que nós conhecemos alguma mulher que passou ou passa por situação de abuso psicológico e físico, portanto é sim, uma realidade bastante conhecida.
Tanto no texto de Pablo Villaça quanto na carta da psiquiatra, que andam circulando pela internet, a questão da saúde mental foram apontadas como fator predominante para que a Anastacia se envolvesse com Grey. E aí entra o que eu apontei como capacitismo e culpabilização.
O que é tido como uma pessoa emocionalmente estável? Quem, hoje em dia, é emocionalmente estável? E vou além na questão: Quem deveria ser realmente criticado? Ela que se envolveu por nitidamente ser uma jovem que se deslumbrou com a vida que ele leva e que difere muito da sua realidade, ou ele que é claramente um abusador psicológico?
Conheço muitas mulheres que sofreram abuso psicológico, e eu mesma já fui vítima, por um ex namorado. Eu estava apaixonada e não conseguia perceber que o que eu estava vivendo era terror psicológico, era abusivo e que eu não precisava me submeter a isso. Eu só fui perceber o que havia passado quando tive contato com o feminismo e vi relatos de muitas outras mulheres que haviam passado pela mesma situação que eu.
O abuso psicológico mina sua autoestima e sua capacidade de discernir os fatos.O meu abusador destruía minha autoestima me humilhando, fazendo com que eu desacreditasse nas minhas capacidades. E é a arma de muitos dos abusadores. Muitos deles usam gaslighting (tentativa de te fazer desacreditar o que está vivendo ou dizendo, de maneira a ter controle sobre você, minando seu psicológico) para controlar suas vítimas e fazer com que elas continuem se submetendo a esse tipo de abuso. O abusador psicológico te afasta das pessoas, pra que você não consiga sair dessa situação.
Dizer que uma mulher vivendo essa situação é psicológicamente estável é ser idiota. Mas acusar uma mulher que acaba entrando nessa situação de que seu psicológico é desestruturado e por isso ela se submeteu a isso é uma grande mentira.
Nenhuma mulher quer viver situações de abuso e não se submete a esse tipo de coisa porque quer. Os abusadores possuem artimanhas de tal maneira que não se consegue desvencilhar dessa situação, até que a vítima consiga perceber ou com a ajuda de alguém, ou sozinha (isso quando a vítima não morre) e saia disso.
Para fazer uma crítica contundente não é preciso usar de argumentos machistas ou capacitistas. Basta uma análise até que superficial da nossa sociedade que dita o que é do comportamento masculino e o que é do comportamento feminino, e os estímulos que cada um recebe desde o nascimento.
A mulher é ensinada desde a infância a se submeter a certos tipos de comportamento dentro de suas relações. A aguentar humilhações, comportamentos agressivos porque são tidos como normais. E é exatamente pela normalização dessa violência contra a mulher, que tantas de nós acaba se submetendo a relações violentas e abusivas.
Anastacia não era desequilibrada.

50 tons de cinza não é  tampouco sobre libertação sexual feminina. E mesmo quando falamos sobre libertação sexual feminina sempre tem um conceito machista embutido nisso que só favorece aos homens (e sempre relacionando com fetichização de lésbicas e bissexuais, sempre).
50 tons de cinza está longe de ser sobre o BDSM (e aí, deixo a problematização sobre certas práticas e fetiches pra uma outra hora).
50 tons de cinza se trata de, mais uma vez, a violência doméstica ser naturalizada.
Quando um homem controla a sua vida, com quem você se relaciona, o que você faz. Quando um homem sabe exatamente cada passo que você dá, é possessividade, e é abuso psicológico. Porque ele transforma a relação em um cárcere, e a mulher em uma presa que deve ser mantida sob sua custódia.
Quando vemos filmes como esse, naturalizando esse tipo de comportamento, é como se toda uma sociedade estivesse aplaudindo isso. E na verdade está, né. Porque esse tipo de coisa é normalizado há tempos, apenas tomou a proporção midiática.
A questão é que se fala muito desse filme, relacionando isso à libertação sexual feminina quando NÃO TEM RELAÇÃO ALGUMA com a libertação da mulher em relação à sexualidade, e menos ainda com sustentar o fetiche masculino. A libertação feminina independe do prazer do homem, o que o filme mostra claramente que é uma das únicas preocupações dele, satisfazer seus desejos.
Nossa sexualidade é ignorada. Nos ensinam a não nos tocar, a não nos descobrir porque é feio, vulgar, errado. E ai nos dizem que isso é uma forma de libertação sexual, de descobrir nossos fetiches.
Na verdade isso induz muita mulher a se relacionar dessa maneira porque acredita que talvez assim seu parceiro lhe dê prazer, porque relações abusivas e controladoras são normalizadas.
Tomem cuidado com esse discurso ”libertador”, nossa prisão é bem maior do que se vê.
Não construam seus gostos e subjetividades em algo que a mídia mostra o tempo todo, em algo que se constrói a partir do outro e não de você.

Para ler o texto original de Pablo Villaça: http://naofo.de/32tm

Para ler o texto da psiquiatra: http://naofo.de/32t3

Para entender sobre a normalização dos relacionamentos abusivos, leia esse texto complementar: http://womansplaining.com.br/2013/12/03/relacoes-abusivas-como-fomos-ensinadas-a-aceitar/

Amélia Autumn

Relato: Racismo

O texto foi escrito por Gabriella Jude e enviado para nós como um relato sobre o racismo.

 

Hoje na faculdade, a professora sugeriu que fizéssemos uma colagem com aquilo que nos contemplasse, que gostássemos muito, que nos representasse (eu curso Artes Visuais). Adoro colagens, e embora houvesse anos que eu não fizesse nenhuma, corri para recortar revistas. Depois de 10 revistas folheadas e vasculhadas, encontrei o total de UMA ÚNICA mulher negra. A Halle Berry. Uma atriz que é fantástica, mas semidesconhecida pelos jovens atuais, até por ultimamente estar mais velha. Me irritei e saí da sala.
Bom, eu sou uma mulher negra, lésbica e feminista. Eu sofri (e sofro de recaídas) por muitos anos com distúrbios alimentares sérios. Eu era bulímica. Tenho transtorno de autoimagem. Com 17 anos eu conheci o bodypositive* (movimento que busca a auto aceitação, auto amor, enfim, que enxerguemos nossos corpos fora do padrão de maneira positiva). Ele me ajudou bastante. Mas não o suficiente.
Vejo amigas minhas brancas que realmente conseguem se amar e se empoderar nesse meio. Não acho isso ruim de forma alguma. Padrões de beleza em geral são opressores, chegam a ser extremamente cruéis. Padrões de beleza não são sobre mulheres bonitas, de forma alguma, mas sobre mulheres obedientes. Resistir e não render-se a esse padrão, não se adaptar, enxergar o belo além dos que nos foi imposto (isso é feio, isso é ruim; isso é bonito e bom) é uma conquista gigantesca para as mulheres.
Mas para quais mulheres?
O que eu estou tentando dizer é que desde pequena eu venho sido humilhada pelo meu cabelo, pela cor da minha pele e odiado a minha boca e meu nariz. Desde pequena, quando escuto minhas amigas (brancas) reclamando de seus “defeitos”, eles quase sempre são: nariz largo, cabelo armado, frizzado. Desde adolescente eu vejo minhas amigas brancas, quando insatisfeitas com algo no seu visual, pintarem o cabelo e eu ouvindo que nenhuma daquelas cores combinariam com meu tom de pele. Batom? Nem pensar. Eu estava resignada a me sentir feia. 
E então eu acho ótimo que meninas aceitem seus pesos e se amem. Eu também aprendi a fazer isso. 
Mas nem sempre. 
Quando eu acordo me sentindo “gorda” (e eu não sou uma pessoa gorda. Meu distúrbio alimentar + remédios + depressão me fizeram emagrecer quase 20kg), porque estou inchada ou barriguda ou algo assim, eu tento verbalizar isso. E então vem a patrulha do bodypositive. Eu nem preciso dizer qual a cor dessa patrulha.
“Você não é só um número, gorda não é ruim, você não é o seu peso”.
Mas e gorda e preta? Quantas piadas sobre mulheres negras e gordas eu não ouvi em toda a vida? Comentários cruéis e pejorativos vindo de meus próprios amigos? Eu sinto medo. Eu sinto dor. 
Pode ser gorda, mas não pode ser preta.
Pode ser preta, mas não pode ser gorda.
Com relação à depilação, a mesma história. Vejo meninas empoderadas e orgulhosas de seus pelos corporais e isso me deixa sempre feliz. E então me perguntam: por que você não faz o mesmo? Se é assim contra a ditadura da beleza, por que não faz o que prega? Cobranças e cobranças. Porque, veja bem, porque eu não sou um mártir. Porque eu não SUPORTARIA os olhares de repulsa. Os olhares que mulheres brancas com seus pelos finos nas pernas recebem, eu recebo sem precisar fazer absolutamente nada.
Eu sinto uma dificuldade imensa em entrar em tumblrs e sites sobre orgulho gordo ou sobre a naturalização de pelos corporais, onde colocam fotos de meninas felizes com seus corpos e elas são quase sempre brancas.
Não existem mulheres negras em hollywood. As mulheres negras da indústria pop são uma minoria ridícula. Como nos sentirmos pessoas bonitas se em livros, filmes, revistas, bandas famosas e seriados nunca existem pessoas como nós? Se a menina excluída e esquisita daquela série é branquinha e sardenta, de nariz fino, cabelo liso? Onde estamos nós? Onde estão os seres com a nossa imagem e semelhança? Estão nos clipes de funk, nas favelas, estão sendo ridicularizados e expulsos de shoppings.
Não me forcem a me sentir bonita.
Não me faça sentir culpada por não me sentir bonita quando a lista das suas ex namoradas são de meninas branquinhas de cabelos longos e lisos, sardentas, alternative nerdy girl. Não me importo se você me acha linda, não me importo se você me acha “exótica”. 
Nossa revolução é diferente.
E aqui fica registrado o meu choro e o meu grito.

 

Valesca, funk e feminismo

Há uma grande polêmica circulando a internet, quando dizemos algo sobre Valesca, relacionado ao feminismo.
E aí, levanto algumas questões bem importantes, que acredito serem fundamentais de fazermos antes mesmo de entrarmos no assunto ‘Valesca é feminista’?
Antes de mais nada, deixe seu preconceito musical de lado.
Quando falamos sobre cultura, percebo uma visão elitista acerca dessa definição. Mas existem dois tipos de cultura: A popular, e a Erudita.
Para Luiz Gonzaga de Mello, “a cultura, em sentido largo é todo o conjunto de obras humanas”, portanto, a cultura não é apenas aquilo produzido pela elite, e sim, aquilo tudo produzido por um povo, por uma tribo, por um grupo.
O funk faz parte da cultura popular do Brasil, e tem alcançado grandes públicos. Mas o nome que mais tem chamado a atenção, é o de Valesca.
Mulher, Valesca canta letras que chocam, que escancaram uma coisa que há muito, é encarado pela sociedade machista e patriarcal, como algo ofensivo, sujo, errado: O desejo feminino.
Será que vem daí então, o incomodo com as letras do funk?
Sabemos que a objetificação do corpo da mulher e de sua sexualidade existem desde os primórdios. Prova disso é o sucesso que faziam as figuras das pinups nos anos 50, o corpo feminino nas pinturas renascentistas, etc. Historicamente a mulher é retratada de diversas formas, mas desde os primórdios, o corpo da mulher é tido como pecaminoso, impuro.
Venho então levantar três questões que considero importantes para nossa reflexão: Qual é a problemática do funk? Qual o papel da Valesca dentro do feminismo? E a objetificação da mulher?
A primeira questão, que se refere a problemática do funk, a meu ver é bastante simples. O elitismo, o preconceito e o racismo. Funk é sinônimo de música de “preto favelado”, com letras grosseiras e apologia ao sexo. Mas aí me pergunto, e o rock? E a MPB? E o sertanejo? Estilos tido como da elite também possuem letras vazias, com apologia ao sexo, conteúdo grosseiro. Também tratam a mulher como objeto simples direcionado ao prazer do homem. Também ensinam como se ‘conquistar’ (porque não consigo imaginar uma outra palavra para encaixar aqui) uma mulher e a levá-la pra cama. Mas o que incomoda é o escancarado, o literal, aquilo que não foi produzido pela elite e para a elite.
A segunda questão é o foco do texto. Valesca é uma mulher funkeira que ganhou grande destaque com sua música. Uma mulher que escancara seus desejos e empodera a mulher. Que traz à tona a questão da sexualidade feminina, do desejo, da autonomia do próprio corpo. Em uma de suas letras, Valesca diz “Eu vou te dar um papo/Vê se para de gracinha/Eu dou pra quem quiser/Que a porra da boceta é minha”.
Sei que o funk possui algumas letras ofensivas e grande teor objetificador, mas ver uma mulher, falar sobre seu próprio corpo de maneira livre é sim, empoderador para todas as mulheres.
Além do mais, Valesca dá voz à mulheres da periferia, mulheres que não são ouvidas, que vivem uma realidade diferente da minha, da sua, de muita gente.
Ela tem um papel importante, que é o de empoderar essas mulheres, de se comunicar com elas e mostrar que o funk é pra elas também, que o funk é pelas mulheres.
E quando falo da objetificação que acontece dentro das artes no geral, é preciso também olhar para aquilo que é produzido pela elite. A objetificação acontece tanto quanto.
É preciso tomar cuidado e não confundir gosto musical pessoal com o preconceito que está enraizado.
A Valesca é sim, uma pensadora contemporânea. E no meio de tantos “Gênios”, como Olavo de Carvalho, Lobão, ela é a mais sóbria.
Mas aí venho levantar outra questão que considero de suma importância, e deixo para reflexão para um outro texto. Será que “a porra da buceta é minha”? Será que, na sociedade que vivemos, eu tenho direito sobre meu corpo?Imagem

Texto por Amelia Autumn

8 de março – relembrar e lutar

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Dia 8 de março, dia internacional da mulher. Muitas pessoas se esqueceram do que essa data carrega, historicamente. Virou mais uma data comercial, em que mulheres são homenageadas com flores e bombons. Mas a importância dessa data ultrapassa gerações. Hoje não é um dia para comemoração,é um dia para a reflexão.
É importante, como mulher e feminista, relembrar os fatos do 8 de março que culminaram nessa data mundialmente comemorada. É preciso não permitir que, num mundo onde apenas a história feita POR homens e contada POR homens apague a importância histórica da luta da mulher.
“No dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos situada na cidade de nova York, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como redução na carga horária de trabalho de 16 horas para 10 horas, equiparação de salários com os homens, já que mulheres chegavam a ganhar 1/3 do salário de um homem para executar exatamente o mesmo tipo de serviço, e um tratamento digno dentro do ambiente de trabalho. A manifestação, como o esperado, foi reprimida violentamente. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Em torno de 130 mulheres morreram carbonizadas num ato totalmente desumano.
Porém, somente no ano de 1910, durante uma Conferência na Dinamarca, ficou decidido que o dia 8 de março, dia em que a tragédia na Fábrica aconteceu, passaria a ser o Dia Internacional da Mulher, em homenagem às mulheres que morreram na fábrica em 1875. Mas foi somente no ano de 1975 que, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas). “
Hoje é um dia para refletirmos sobre as desigualdades que precisam ser combatidas. Um dia para lutarmos contra o machismo com o qual sofremos, todas nós, dia após dia. Um machismo que a cada 4 minutos mata uma mulher no mundo. Que a cada 30 segundos, violenta uma mulher. Esse dia não é para comemorações. Esse dia não deveria contemplar somente a mulher hétero branca de classe média e magra ( como diria uma amiga). É o dia para nos lembrarmos também de nossas irmãs marginalizadas, que sofrem dia após dia com uma sociedade que as esmaga, assimila e silencia. Hoje é uma data histórica que nos lembra o quanto o patriarcado ainda é forte e o quanto ainda precisamos lutar por mudanças. Um dia que nos lembra quantas vidas a misoginia tira, e o quanto vivemos com medo e inseguras quando andamos nas ruas.
Hoje, só desejo a nós mulheres o empoderamento, a retomada de voz, o controle de nossos corpos, a nossa liberdade de ser e de sentir sem sermos agredidas por não estarmos nos moldes sociais.
Desejo a todas vocês, minhas irmãs, muita força e coragem para enfrentarem de cabeça erguida, os perigos e os desafios de viver em uma sociedade que nos oprime, nos sufoca, e nos mata pouco a pouco. E presto aqui minha homenagem à todas as mulheres mortas pela misoginia, a todas as Fran’s que sofrem por confiarem em seus parceiros, a todas as mulheres que vivem ou viveram relacionamentos abusivos e conseguiram se libertar, a todas as mulheres negras, lésbicas, mulheres da periferia, mulheres marginalizadas e constantemente silenciadas. Continuem lutando e nunca desistam. São tempos difíceis porque a violência contra nós é naturalizada, vivemos com medo de sair as ruas por conta do assédio e dos estupros, mas são os tempos em que nossa luta se faz necessária. Força! Estaremos lutando lado a lado. Nunca esquecer daquelas que morreram lutando por nós!
 
 
Texto por Amélia Autumn

LuLu, um app feminista

Muita gente têm comentado sobre esse app criado para mulheres, o LuLu. E o que mais vejo é pessoas falarem que esse app é sexista, que é uma vingança das mulheres pelo que os homens fazem etc.
Acredito que não seja isso, e é por isso que resolvi compartilhar esse texto muito bem escrito da Ariane sobre o assunto.
Vale lembrar que ela fala sobre o aplicativo em si. A forma como cada uma faz uso, é uma coisa completamente diferente e vai de cada uma.

Post original: https://www.facebook.com/ariane.silva.s/posts/10202508456571395

Texto por Ariane Silva, postado por Amélia Autumn

LuLu: Um app feminista.

Eu ainda quero escrever um texto bem elaborado, bem escrito sobre isso mas no momento to meio cansada, mas gente, cês pararam pra ler o site do LuLu antes de criticar? Eu descobri o LuLu por que uma amiga veio contar que tava tendo treta por que supostamente alguém tinha feito um app pra avaliar PINTOS de homens, dar nota, fazer comentários. Fui pesquisar já achando que era um app feito por homens pra homens gays (por que quem é que arriscaria dinheiro investindo que mulheres gostam de sexo e se interessam por… avaliar pintos?), descobri que na verdade era pra avaliar HOMENS, não pintos. Achei curioso esse rumor ter surgido, por que sites, apps, blogs, conversas de botecos de homens avaliando e dando notas pra pedaços de corpos de mulheres é o que não deve faltar. Peito nota 5, bunda 9,5. A gente tem até uma piada específica pra mostrar que estamos olhando é pra um recorte do corpo de uma mulher, pra um pedaço do objeto mulher, e não pra uma pessoa: Raimunda. Quando são mulheres sendo objetificadas nem é assunto, quando são homens, chovem lágrimas. É sexismo.

Li umas críticas de sites especializados em tecnologia e de jornais relativamente importantes em inglês, algumas xingando o app, alguns dizendo apenas ‘hey, é idiota, mas é a mesma coisa que os caras tão fazendo com as mulheres desde sempre, parem de reclamar’. Olha, não é a mesma coisa. Vou colar aqui e traduzir trechos da apresentação do LuLu no site oficial:

Primeiro, o LuLu é apresentado como ‘LuLu: the first-ever app for girls’ [LuLu: o primeiro aplicativo pra meninas de todos os tempos]. Quando li isso já tinha pensado: realmente, por que todos os outros, TODOS OS OUTROS que servem pra dar notas e fazer comentários sobre pessoas, inclusive esse facebook aqui que se o filme estiver correto começou como um webapp pra dar nota pra mulheres de acordo com a aparência, e surgiu por que o Mark tava putinho com a vadia que não quis ficar com ele, foram feitos por homens, pra homens. Talvez fosse massa lembrar também do Grindr. Tentaram fazer várias versões pra mulheres e simplesmente NÃO PEGOU. As mulheres não aderiram em massa. O foco pode não ser o mesmo, mas são sintomas da mesma estrutura.

Então você lê a descrição do LuLu: “A private app for girls to share their insights on love and life” [um app privado pra meninas compartilharem seus pensamentos sobre amor e vida]. Se fosse um app pra homens, ainda que tivesse sido criado mesmo pra esse fim, tenho certeza que de fato ia acabar se tornando pornografia. Se até o chatroulette conseguiram transformar numa ferramenta de constrangimento e humilhação de mulheres e assédio sexual virtual, ao ponto dos criadores precisarem implementar um filtro detector de pintos pra tentar reverter o problema e permitir que o site fosse usado pro propósito pretendido – ter conversas via vídeo chat com pessoas aleatórias de vários lugares do mundo – imagina um app feito pra comentar sobre mulheres, sobre como se sentiram com elas, e coisas assim. Mas isso é algo que é esperado – ou sequer permitido – das mulheres? Em tempos de revenge porn, se alguém descobre que a fulana da faculdade tirou foto e avaliou o pinto do cara outra turma com quem transou, é ela quem se fode. Ela que vai ficar sendo a vagabunda e sofrer assédio sexual e ameaças de estupro. Essa acusação do rumor vem de onde então? Os homens são tão nojentos que nem eles querem lidar com os modos de dominação da supremacia masculina voltados contra eles.

Se você clicar em “How LuLu works”, vai parar numa página com várias explicações, a primeira delas: ‘We created Lulu to unleash the value of girl talk and to empower girls to make smarter decisions on topics ranging from relationships to beauty and health.
Lulu is a private network for girls to express and share their opinions openly and honestly. In our first iteration, Lulu is a private app for girls to read and create reviews of guys they know.’ [Nós criamos o LuLu pra libertar o poder da conversa entre meninas e empoderar meninas pra tomar decisões mais espertas em tópicos que vão de relacionamentos a beleza e saúde. Lulu é uma rede privada pra meninas se expressarem e compartilharem suas opiniões abertamente e honestamente. Na nossa primeira iteração, Lulu é um app privado pra meninas lerem e criarem resenhas de caras que elas conhecem.]

Libertar o poder da conversa entre meninas e EMPODERAR MENINAS pra tomarem decisões melhores.

Alguém sacou por que tem tanto homem incomodado? Imagina só, eles já morrem de medo das mulheres começarem a conversar entre si e descobrirem que eles são nojentos, e cada coisa nojenta específica que eles já fizeram. O estuprador, o espancador. O cara que não quer usar camisinha. O cara que mente que usou camisinha. O cara que tira a camisinha no meio do sexo. O que engravida e quer forçar a menina a ter a criança que ela não quer. O cara que engravida e quer forçar a menina a fazer o aborto que ela não quer. O cara que trai. O que destrata, humilha, difama. O ciumento. O chantagista. Todos os caras. Ativamente dominam o espaço de fala e impedem que as mulheres conversem entre si. Demonizam as conversas entre mulheres, chamam de fofoca. Duas mulheres muito próximas que não priorizam um homem, que não dão atenção quando um homem aparece, só podem ser sapatão, e ninguém quer ser sapatão. Toda a sorte de mecanismos pra impedir que mulheres conversem entre si e permaneçam sozinhas, pra impor que todo o convívio social da mulher seja sob o intermédio do homem, do agressor. Tanto trabalho, milênios de patriarcado.

Aí vem alguém e faz um app. Que só mulheres podem ter acesso (eu tava como homem no facebook e tentem acessar, e mesmo depois de mudar de volta pra mulher não consegui). Pras mulheres trocarem experiências umas com as outras num ambiente seguro – num espaço seguro – anonimamente.

Clicando no ‘About Us’ [Sobre nós], aparece a foto da criadora (sim, uma mulher! no mercado de tecnologia! fazendo sucesso! imaginem quantos nerds com raiva por aí), a Alexandra Chong, com uma citação dela: ‘I created Lulu because my girlfriends and I needed it. [Eu criei Lulu por que as minas amigas e eu precisávamos]. Ela fez um app por que ela e as amigas precisavam de um jeito seguro de trocar informações entre elas pra conseguir tomar decisões melhores. Sem o julgamento da sociedade misógina que chama isso de fofoca. Sem os riscos do cara descobrir o que ela falou e ir atrás dela pra agredir (de novo?). Se as meninas estavam precisando fazer decisões melhores em relação aos caras, com certeza significa que elas estavam sofrendo violências desses homens. Elas fizeram um app pra elas e outras mulheres se unirem e se protegerem disso.

O post traz algumas coisas que estavam escritas em outros espaços e eu já colei aqui, e segue: ‘Lulu founder Alexandra Chong came up with the idea for Lulu over a six-hour post-Valentine’s day brunch. Alexandra sat at a table of girls, talking about everything from the men in their lives to career moves. Alexandra recognized that if you put even one guy in the mix, the candor of the conversation changes. She thought there was a real opportunity to tap into girl talk.
In February 2013, we launched the first iteration of Lulu as a private app for girls to read and create reviews of guys they know. Since then, more than one million girls have downloaded Lulu.’ [Alexandra Chong, a fundadora do Lulu, teve a ideia pro Lulu depois de um “brunch” (refeição que combina o café da manhã, ‘breakfast’ em inglês, com o almoço, ‘lunch’ em inglês). Alexandra sentou uma mesa de meninas, conversando sobre tudo desde homens até as vidas delas até decisões sobre suas carreiras. Alexandra reconheceu que se você coloca mesmo que seja apenas um cara na mistura, a honestidade da conversa muda. Ela pensou que havia uma oportunidade real pra promover conversas entre meninas. Em fevereiro de 2013, nós lançamos a primeira iteração do Lulu como um app privado pra meninas criarem resenhas de caras que elas conhecem. Desde então, mais de um milhão de meninas baixaram o Lulu.]

Mesmo antes de ter lido ler tudo isso aí eu já tinha achado o app muito massa e mesmo não sendo hétero, eu corri pra baixar e instalar (minha amiga também, e pelo menos mais uma já tá usando também e adorando). Agora a gente tem um app pra postar que o cara que paga de feminista e que sai adicionando as mulheres pra assediar é um nojento, e que quando ele percebe que não vai conseguir nada com você, sai falando mal, hostilizando você publicamente nos seus posts, sabotando seus projetos e pior, usa o fato de ser “seu amigo” pra hostilizar outras mulheres e pra adicionar e assediar ainda outras. Agora tem um app pra facilitar esse processo tão demorado que foi descobrir que não foi uma nem duas meninas que passou por essas situações com o nojento em questão – que frequenta boa parte dos espaços não-virtuais que você e suas amigas frequentam também. Inclusive as que não saberiam dessas histórias e poderiam cair na furada de acabar se relacionando com ele.

A wikipedia linka o ‘DontDateHimGirl.com’ [NãoSaiaComElemenina.com ou algo assim], e informa que o Lulu é frequentemente comparado com ele, que já teve uma função pra dar nota pros caras. É claro que os caras tão com raiva. Eles tão chamando esse app de sexista. Isso faz tanto sentido quanto chamar de racista um app de negras, exclusivo pra negras, feito por uma negra, pra denunciar racismo que sofreram por brancos. Não existe racismo contra brancos. Não existe sexismo contra homens. Os homens tão incomodados é por que esse app é feminista mesmo.

Essa função de dar notas nos homens é só a primeira fase do app. Pelo que eu entendi, novas funções com o objetivo de estimular e facilitar conversas entre meninas com o objetivo de criar uma rede virtual de apóia-mútua entre mulheres. Esse app não é sobre homens. Repito: NÃO É SOBRE HOMENS. É sobre mulheres, sobre apóia-mútua entre mullheres e empoderamento de mulheres. Esse app é sobre mulheres. Eu não tenho passado muito tempo no facebook e vi poucos comentários das amigas, mas o que eu vi foi mais no sentido de dizer ‘peraí, é idiota mas é a mesma coisa que os homens já tão fazendo’, que é mais ou menos como a mídia liberal dos EUA tá cobrindo. A gente que é feminista deveria olhar o LuLu com mais carinho que a mídia liberal dos EUA.

E é mais ou menos isso que eu queria falar sobre o Lulu. Eu gostaria de sugerir de todo o coração que você e suas amigas todas instalem ele, tem pra Android, pra iOS e acho que dá pra usar pelo navegador também, e que ignorem completamente o que os caras têm falado sobre o app. Tentaram te deixar longe dele dizendo até que é um site que tem pintos pra dar nota e nada mais. Que mentira mais desonesta.

 

Pornografia: Uma discussão

A pornografia é um tema bastante delicado de ser discutido nos meios feministas. Por que? Porque algumas correntes acham que não há problema na pornografia, e algumas outras correntes lutam contra.

Pesquisando sobre o assunto pude perceber que existe meio que um consenso geral dos motivos que levaram ao surgimento da pornografia e para quais finalidades.

A pornografia foi criada inicialmente para gerar prazer e levar/induzir à masturbação ou até mesmo ao ato sexual. O alvo? Os homens, principais produtores e consumidores dessa indústria que gera lucros altíssimos baseados na exploração da imagem e da sexualidade da mulher.

A pornografia objetifica o corpo da mulher, o explorando até a exaustão. Alimenta também uma indústria de tráfico de mulheres, que poucas pessoas sabem.
Dentro da pornografia existe um falso conceito de escolha. Contrato assinado você não pode dizer ‘isso eu não faço, aquilo eu não faço’, as industrias desse tipo de mercado se alimentam disso.
A pornografia molda o comportamento sexual. Instiga a violência e a falsa dominação da mulher, nada mais é do que a submissão velada para alimentar um fetiche masculino.

Tem também uma outra questão muito importante que é a imposição de um modelo de corpo ideal para a mulher. Ele molda conceitos e corpos e isso não é legal, porque isso mexe diretamente com a segurança sobre sua performance sexual, sobre a sua sexualidade, sobre como ela lida com o seu corpo.

Sei que esse é um assunto bastante polêmico e que terá uma grande repercussão talvez, mas o propósito dessa postagem é trazer essa discussão à tona e apresentar alguns argumentos bastante consistentes do porque a pornografia é nociva. Ao procurar leituras não-feministas  sobre o assunto pude ver o posicionamento de muitos autores de artigos científicos sobre a fetichização da mulher e a indústria pornográfica de que há uma exploração da imagem do corpo da mulher para trazer prazer ao homem.

Existem dados que comprovam que a pornografia alimenta uma indústria do tráfico de mulheres, da prostituição, das drogas…É uma indústria feita de falsas escolhas. É uma ilusão achar que quem está ali é uma Sasha Grey na vida. Nem todas escolheram estar ali porque gostam do que fazem e lidam bem com sua sexualidade.

Em um texto que li de psicologia, um estudo feito com homens em que um video comum e um video erótico eram exibidos, na parte do vídeo erótico as partes do cérebro que trabalhavam era a da motivação e da recompensa.

Fazendo uma análise social sobre a pornografia, é fato que isso influencia diretamente na sexualidade da mulher e na forma como ela lida com o seu corpo, o que eu pretendo descobrir com meu projeto de pesquisa é o quanto isso afeta e até onde  isso vai.

Me deparei com um texto que fala sobre um novo tipo de pornografia: A pornografia feminista. Eu sempre me questionei até que ponto essa nova forma de pornografia não seria nada mais nada menos do que o reflexo de uma indústria machista. Nesse tipo de produção, entra na discussão a questão do empoderamento da mulher, e existem algumas regras para a pornografia feminista: Ao menos uma mulher deve estar envolvida no processo de produção, a mulher tem que ser a figura principal e o prazer feminino é o mais importante. Por isso, um formato diferenciado dessa pornografia foi feito visando atender à sexualidade da mulher. A explorar esse prazer da mulher com seu próprio corpo e com x seu/sua parceirx.

Vou deixar linkado aqui o artigo que trata dessa questão da pornografia feminista e gostaria de levantar uma questão aqui: A pornografia é nociva?

Neste link você poderá fazer  o download do PDF. São 12 páginas de uma discussão bastante interessante e que leva à reflexão. Se alguém tiver interesse em ler a minha revisão bibliográfica sobre o assunto, posso passar também.

http://www.uff.br/ciberlegenda/ojs/index.php/revista/article/view/507

Espero a manifestação de vocês sobre esse assunto tão complexo.

Amélia Autumn