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Por que 2015 precisa de um protagonista de 1997?

Por que 2015 precisa de um protagonista de 1997?

Este post contém spoilers. Final Fantasy VII é um JRPG clássico e conhecido por qualquer gamer, tendo ele jogado ou não. Foi lançado pela primeira vez em 1997 e relançado para PC, relançado para PSP, para PS3, PS4 e agora será completamente refeito, com gráficos belos e atuais, tais quais usados pelos games mais recentes da última geração, como Last of Us e Destiny, jogos conhecidos pela sua beleza. Um remake era pedido por parte dos fãs desde meados de 2007, quando a produtora lançou um vídeo de como Final Fantasy VII seria se tivesse sido feito para PlayStation 3. Desde a revelação do remake em junho deste ano, na E3, o vídeo do trailer foi visualizado por volta de 11,000,000 vezes em duas semanas. Existem vídeos de 4 a 7 horas de fãs reagindo ao anuncio, com muita gritaria e alegria. Mas qual é a razão deste hype? Qual é a razão de um game de 18 anos ainda provocar euforia? Porque ele foi um marco na história?Pelo seu enredo e, mais importante, pelo seus personagens principais. Em específico, o protagonista da série, Cloud Strife. Podemos ver as costas de Cloud no trailer, e esta cena de pouco mais de 3 segundos gerou tamanha alegria aos fãs que é praticamente imensurável.

Reação do GameTrailers ao perceber que era um remake
Reação do GameTrailers ao perceber que era um remake

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Capacitismo, saúde mental e militância virtual.

Vamos falar sobre saúde mental e capacitismo.
Pelo titulo sei que essa postagem não parece estar relacionada ao feminismo, mas ela está diretamente ligada a nossa vivência enquanto militantes feministas.
Vejo dentro dos ambientes virtuais de militância e acolhimento, diversas mulheres que sofrem de graves transtornos mentais como depressão, bipolaridade, borderline, entre tantos outros, que acabam se agravando e por conta disso, se afastando dos meios de construção e militâncias virtuais.
Muitas dessas mulheres que procuram esses grupos, o fazem porque viveram situações de verdadeiro horror e querem apoio emocional. Situações como relacionamentos abusivos, abuso sexual, transtornos alimentares, entre outros. E o que acabam encontrando, muitas vezes, é um ambiente de intolerância para aquelas que estão começando no feminismo, ou ambientes hostis em que não há vez para falarem sobre seus problemas.
É também importante frisar, que por conta de transtornos mentais ou outros tipos de transtornos, essas mulheres acabam vendo na internet, o seu único espaço de construção e militância, e esses fatores acabam por afastá-las e até mesmo agravar seus transtornos em decorrência da forma como nos tratamos dentro desses espaços de construção de conhecimento.
Muitas dessas doenças, vale frisar, são decorrentes desses traumas e abusos emocionais, e acabam se agravando pelos conflitos dentro de espaços que deveriam ser de acolhimento e segurança para todas nós.
Uma das maiores barreiras que encontro dentro desses espaços de conhecimento e debate das tantas teorias feministas, é a hostilidade entre mulheres e o capacitismo que acontece em relação à essas mulheres que sofrem desses transtornos, e a banalização de seu sofrimento. E isso é algo grave, e que interfere e muito na proposta de construção desses ambientes, e tem um impacto profundo na vida dessas mulheres, e isso precisa ser urgentemente debatido.
Para falarmos mais claramente sobre o que é o capacitismo e no quanto isso entrava nosso processo de construção e militância, vou colocar aqui, uma definição da palavra para que seu significado dentro desse assunto, saúde mental, fique mais claro.

“Defino o capacitismo como a concepção presente no social que tende a pensar as pessoas com deficiência como não iguais, menos humanas, menos aptas ou não capazes para gerir a próprias vidas, sem autonomia, dependentes, desamparadas, assexuadas, condenadas a uma vida eternamente economicamente dependentes, não aceitáveis em suas imagens sociais, menos humanas.

São algumas características: há sempre uma boa dose de paternalismo, que tolera que os elementos dominantes de uma sociedade expressem profundo e sincera simpatia pelos membros com deficiência, enquanto, ao mesmo tempo, sustente-os numa acondicionamento de subordinação social e econômica.”

Trecho retirado do blog https://chegadecapacitismo.wordpress.com/2012/11/23/entenda-o-que-e-capacitismo/

Ampliamos esse termo para as doenças e transtornos mentais, que podem ou não, dependendo de sua gravidade, serem considerados um tipo de deficiência.

A dose de paternalismo e o fato das pessoas dentro desses ambientes, muitas vezes hostis, e muitas vezes a manutenção dessa subordinação (e muitas vezes digo no sentido intelectual, não somente social e econômico) acaba por agravar os transtornos e dificultar o acesso dessas mulheres aos espaços de construção.
Além do capacitismo, muitas vezes camuflado de empatia, vejo uma boa dose de banalização da depressão, bipolaridade, ansiedade (que são problemas mais frequentes de se encontrar dentro desses espaços), diminuindo esses transtornos à um simples problema que pode ser resolvido com chás, meditação e outras formas de terapia alternativa, que em nada colaboram para a saúde mental dessas mulheres.
Acredito que um dos primeiros passos para garantir que esses espaços sejam seguros é respeitar de fato a autonomia das mulheres na construção de cada um deles, respeitando sempre que cada mulher vai descobrir pra si, a melhor teoria para debate, dentro de um espaço seguro onde as discussões não acabem de forma hostil.
Permitir que as mulheres ingressem nesses espaços sem que haja hostilidade, já é uma maneira de proteger sua saúde mental.
Outra coisa que acho importante, porque vejo em grupos de ajuda entre mulheres conselhos como tomar chás e esse tipo de coisa, aconselhar sempre a buscar um profissional da psicologia ou psiquiatria, porque ignorar que esses transtornos são graves e precisam de tratamento adequado, é colocar a saúde mental e segurança dessas mulheres em risco.
Não podemos ignorar também, que o fator exposição e escracho público e perseguição na internet acabam por agravar e até mesmo levar a consequências mais extremas, os transtornos mentais. Acreditar que esse tipo de situação que acontece na internet, acaba na internet, é ignorar que isso terá consequências bastante reais pra essas mulheres.
O capacitismo se desconstrói com informação, responsabilidade e acima de tudo, empatia. A palavra sororidade não deveria ser apenas um chavão feminista, ela deveria ser colocada em prática por todas nós.

Para conferir mais sobre o blog chega de capacitismo, clique aqui https://chegadecapacitismo.wordpress.com

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